Numa clara manifestação de que o governo federal tem uma posição crítica em relação ao Comitê Organizador dos Jogos do Rio, o secretário executivo do Ministério do Esporte, Luís Fernandes, afirmou nesta terça-feira que a União passou a exercer um “controle rígido” sobre os gastos do órgão.

Ele também admitiu que o governo é a favor da redução do salário de funcionários do Comitê Rio/2016 – atualmente são 600 contratados, e esse número vai chegar a 7 mil pessoas. Isso porque o governo de Dilma Rousseff não quer que o órgão utilize dinheiro público até o ano dos Jogos Olímpicos.

As declarações de Luís Fernandes foram dadas durante a solenidade de posse do novo presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), general Fernando Azevedo e Silva, nesta terça-feira, na Escola de Educação Física do Exército, no bairro da Urca, zona sul do Rio.

Das autoridades do primeiro escalão envolvidas na organização dos Jogos Olímpicos de 2016, apenas o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, prestigiou o evento. O presidente do Comitê Organizador e do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, não compareceu à cerimônia, tampouco o governador do Rio, Sergio Cabral, o prefeito da cidade, Eduardo Paes, e a presidente da Empresa Olímpica Municipal (EOM), Maria Sílvia. Todos, no entanto, justificaram a ausência.

De acordo com o diretor executivo de operações do Comitê Organizador, Leonardo Gryner, não existe a menor possibilidade de redução de salários dos já contratados pelo órgão. “O que podemos fazer é reavaliar o salário dos que virão e até retardar um pouco a contratação de alguns”, declarou.

A preocupação do governo de não ver recursos públicos no Comitê Organizador ficou clara mais uma vez. No dossiê de candidatura do Brasil, havia a previsão de que, a preços atuais, os governos (federal, estadual e municipal) poderiam gastar até R$ 1,5 bilhão com o órgão. Mas, segundo Aldo Rebelo, a expectativa das três esferas de governo é de que esse número seja zerado. “Estamos trabalhando para que nada disso seja necessário”, avisou o ministro.

O general Fernando Azevedo e Silva foi escolhido por Dilma para substituir Marcio Fortes na presidência e ter uma ação mais firme na coordenação dos Jogos Olímpicos. A APO, criada por lei em 2011, é uma exigência do Comitê Olímpico Internacional (COI). O general disse que pretende trabalhar em sintonia com os outros entes – Estado, prefeitura e Comitê Organizador – e com “a maior transparência possível”.

Sobre a elaboração da Matriz de Responsabilidade, documento exigido pelo COI que esclarece quem é o responsável por cada obra, instalação e outras necessidades do evento, o general informou que o prazo de entrega foi estendido a pedido do Ministério do Esporte. Segundo Aldo Rebelo, a Matriz deve ficar pronta até o final do ano. “Ainda precisamos reunir dados e elementos para concluir o documento”, disse o ministro.