O governo federal lançou ontem mais um balanço do andamento das obras de mobilidade nas cidades sedes e nos estádios que receberão jogos da Copa do Mundo de 2014. No documento, mais uma vez a Arena da Baixada aparece com o menor avanço nas adequações para receber o Mundial.

Com apenas 11% das obras concluídas, a Baixada está atrás até mesmo da Arena das Dunas – estádio que mais causou preocupação ao governo federal e à Fifa, pela demora no início das obras. Hoje, o empreendimento do Rio Grande do Norte tem o dobro de percentual dos atleticanos. A Arena é ainda o único estádio que não conseguiu chegar a 20% das obras, o que correspondem a 1/5 do total necessário.

Os novos números divulgados são bem diferentes do apontamento feito no início de abril, quando o Ministério do Esporte divulgou que as obras no estádio atleticano tinham chegado a 52% da execução. Desta vez, o balanço do governo reduz o percentual e utiliza números mais próximos ao relatório feito dia 1.º de maio, por consultores a pedido da Fifa, e que apontava a Baixada com apenas 12% das obras prontas.

Porém, em outros itens a diferença nos números é gritante. O governo divulga que serão gastos R$ 234 milhões, contabilizando os R$ 14 milhões utilizados para as desapropriações dos imóveis no entorno do estádio. Assim, a obra em si custaria R$ 220 milhões. No relatório da Fifa, no entanto, a adequação da Baixada não sai por menos de US$ 131 milhões (R$ 265 milhões). Já, pelo Atlético, os custos serão de R$ 184 milhões, sendo que apenas uma parte caberá ao clube (R$ 61,3 milhões) com os outros dois terços de responsabilidade dos governos do estado e do município.

Cada vez mais caro

Mas no levantamento divulgado ontem pelo governo federal, os valores de investimento privado, que correspondem ao montante do Atlético, são de R$ 97 milhões, com mais R$ 123 milhões que virão do financiamento do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Por sinal, valor que difere em R$ 15 milhões em relação às recentes declarações da diretoria atleticana, para quem o empréstimo será de R$ 138,4 milhões.

O empréstimo tem sido o grande problema do Atlético. O BNDES ainda não aprovou a liberação dos recursos à Agência de Fomento, que fará o repasse ao clube. Mesmo que o banco faça essa liberação, a agência não poderá entregar as parcelas à CAP S/A até que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) revogue a medida que suspendeu qualquer repasse de verbas referentes à Copa do Mundo, em Curitiba. Os repasses só poderão voltar a acontecer depois que o clube e os governos estadual e municipal assinarem o aditivo do contrato de parceria.

O relatório apresentado pelo governo traz também uma nova data de entrega da Baixada. O anúncio da diretoria era de que o novo estádio seria finalizado em dezembro para ser inaugurado em março de 2013, com quatro dias de festas. O novo prazo de entrega foi esticado para junho de 2013. Quanto às desapropriações, a prefeitura deveria ter feito o acordo com os proprietários antes mesmo de o Atlético ter iniciado as obras. Depois, protelou o prazo para 29 de fevereiro e no relatório do governo consta que as desapropriações só devem ser finalizadas em junho.