Foto: Valquir Aureliano/ O Estado
Cercado pela imprensa, o técnico Givanildo de Oliveira começou ontem o seu trabalho no Atlético.

Depois do espanto inicial pela troca de uma celebridade do futebol por um treinador famoso apenas no Norte/Nordeste, o Atlético começa a voltar à normalidade da maioria dos clubes brasileiros. Já no início de sua ?era? no Rubro-Negro, Givanildo de Oliveira começa a mexer na herança deixada por Lothar Matthäus. Com o substituto do alemão acaba o rodízio de goleiros e o sistema tático deve mudar para o tradicional 4-4-2. Além disso, ele já iniciou suas observações e deve indicar reforços para o restante da temporada.

?Cada um tem o seu estilo de trabalhar, mas eu não faço rodízio. A gente não pode abrir mão do estilo e deve procurar sempre o melhor para o clube. Rodízio comigo acabou. Vai jogar quem estiver melhor?, apontou Givanildo, quebrando a opção inusitada de Matthäus de revezar Cléber e Tiago Cardoso na camisa 1. A tendência é que o primeiro, por ter atuado com o próprio treinador no Santa Cruz e ter feito uma boa apresentação em Volta Redonda, ganhe a condição de titular.

Mas, não é só no gol que Givanildo muda. O sistema tático deve sofrer alterações também. ?Eu não posso te dizer que vou jogar com três zagueiros. Pode acontecer, mas a minha preferência, normalmente, é pelo 4-4-2?, adiantou. Para ele, isso vai depender dos jogadores que ele tiver à disposição e da possibilidade da vinda de mais reforços. ?As indicações, se achar necessário, eu vou fazer. Não posso obrigar o clube a contratar. Se quiserem deixar o time mais forte e se eu achar que vai haver a necessidade, aí teremos que contratar?, destacou.

Junto com ele, chega o preparador físico Wellington Vero, que deve iniciar o trabalho hoje no CT do Caju. ?Na hora do meu acerto eu pedi para trazer o Wellington, que está comigo há 15 anos. Existe uma confiança muito grande no trabalho dele. O lance do auxiliar e do preparador de goleiros não posso adiantar nada porque ainda não conversei com o seu Mário (Celso Petraglia, presidente do conselho deliberativo) depois que cheguei?, revelou.

Afastados desde segunda-feira, o auxiliar-técnico Vinícius Eutrópio e o preparador físico Riva Carli ainda não sabem se continuam ou não no Furacão. Na terça-feira, foi a vez do preparador de goleiros Almir Domingues pedir para não viajar para o Rio de Janeiro, o que pode precipitar a saída dele. No entanto, a diretoria ainda não divulgou oficialmente o destino dos profissionais. Eles não foram encontrados para informarem o que foi decidido.

Comandante não se cria

Apesar de imprimir um toque de modernidade na administração e no reerguimento do Atlético, a partir de 1995, a ?era Mário Celso Petraglia? cai na vala comum quando o assunto é treinador. Tal qual os mordomos em filmes de mistério, no Rubro-Negro a culpa quase sempre é do ?professor?. Pelo menos é isso que transparece quando se soma o número de profissionais contratados sob a tutela do manda-chuva do furacão. Foram 31 nomes diferentes a comandar a equipe em 40 trocas de guarda no CT do Caju nesse período.

De Zequinha a Givanildo de Oliveira, o clube tem uma nefasta média de três quedas por ano. Isso sem contar que poucos conseguem virar o ano mantendo o cargo na Baixada. Aliás, manter o cargo é difícil até para os interinos. Que o digam Júlio Piza, que foi para o sacrífico após dois jogos ruins em 2003, e Vinícius Eutrópio, que seria o braço direito de Lothar Matthäus, e também foi para a guilhotina após a fuga do alemão.

?É complicado, até porque quando está mudando é porque não está certo. No Santa Cruz eu passei um ano e três meses, ganhando um campeonato após dez anos, levando o time à primeira divisão e deixei o time com o turno ganho?, avalia Givanildo. Segundo ele, que tenta quebrar esse estigma no Furacão, no Brasil a cultura é essa mesma. ?Se você não ganha, vai trocando de técnico. Mas é uma coisa que eu não concordo, até porque eu tenho exemplo: os melhores trabalhos que fiz foram em times que eu demorei?, aponta.