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De Letra

Gionédis cumpre promessa de posse

  • Por Cristian Toledo
Giovani corre para comemorar
o título invicto.

O primeiro título do Coritiba em quatro anos serve também como confirmação do trabalho feito pela diretoria comandada por Giovani Gionédis. Na presidência há pouco mais de um ano, o ex-secretário da Fazenda do governo Jaime Lerner encarou um clube repleto de dívidas, envolto em crises institucionais e sem uma equipe vencedora. Não está sendo fácil mudar esse estado de coisas, mas o título conquistado ontem já mostra a evolução do Cori.

Ao contrário de outros presidentes, que mantinham o controle apenas sua própria gestão, Gionédis assumiu uma herança triste, com o objetivo de acertar a casa para quem viesse depois. Quando se tornou presidente, em janeiro de 2002, ele garantiu que o Coritiba seria reestruturado e passaria a honrar seus compromissos. Nos primeiros meses de gestão, foram feitas dezenas de demissões, reduzindo o quadro funcional em quase 60%. Cargos fundamentais nos anos anteriores, como o de superintendente, foram simplesmente extintos.

Era a folga que o Coritiba precisava para respirar. Mas não era suficiente, tanto que em quase todas as partidas realizadas no Couto Pereira aconteceram penhoras de renda, devido a centenas de problemas trabalhistas. Além disso, constantemente as contas do clube em bancos eram bloqueadas pelos mesmos motivos. “Às vezes dá vontade de largar tudo, de tanta coisa que já foi feita errada por aqui”, desabafou o presidente, logo após o médico Jean Francisco (hoje no Iraty) vencer na Justiça uma causa de R$ 300 mil.

Inevitavelmente, a austeridade administrativa teria que ter eco no futebol. Dessa forma, os grandes investimentos foram cancelados, e alentadas negociações viraram praxe no Alto da Glória. Foi assim que Liédson permaneceu mais seis meses, que Lúcio Flávio foi contratado, que Sérgio Manoel chegou para tentar resolver o problema do meio-campo. As duas últimas contratações não deram certo, mas foram as que mais agitaram o futebol paranaense no ano passado. E que para elas fossem fechadas, sacrifícios foram feitos -e Evair, ídolo maior do Cori nos últimos anos, teve que ser dispensado.

E se trouxe Joel Santana a peso de ouro e o demitiu depois de uma histórica goleada imposta pelo Paraná (que ele viu das arquibancadas da Vila Capanema, correndo risco de agressão), Gionédis manteve Paulo Bonamigo apesar das inúmeras pressões que aconteceram depois de seis derrotas seguidas no campeonato brasileiro. Hoje, o presidente é o principal avalista do trabalho do treinador campeão paranaense.

Com pratas da casa

Mas a grande tacada da atual diretoria foi apostar todas as fichas nas categorias de base, que estavam sendo negligenciadas nas últimas gestões. A prova está no elenco campeão: Tesser, Danilo, Juninho, Ricardo, Adriano, Pepo, Lima, Marcel, Gelson e Alexandre Fávaro, entre outros, conquistaram seu primeiro título como jogadores profissionais. “Quero transformar o Coritiba em uma universidade do futebol”, disse Gionédis, no seu discurso de posse.

Foi uma jogada arriscada e levada pelas circunstâncias, mas para os jogadores experientes e para o técnico Bonamigo, esse é o principal legado do título estadual. “Neste ano eles ainda estavam ansiosos. Agora eles terão maturidade para as outras competições. Agora eles são campeões”, comenta o treinador. “Eu acho que esse título é mais importante que o último (de 99) justamente pelo lançamento de tantos jovens”, completa o volante Reginaldo Nascimento.

Para completar, resta o grande salto. Ainda neste semestre o Coritiba coloca no mercado suas ações, tornando-se o primeiro clube do país a apostar na S/A para alavancar as finanças. Giovani Gionédis garante que, com o Coxa S/A nos trilhos, deixa o clube ao final de sua gestão (dezembro). E se fizer isso, ele pode até não aceitar uma reeleição certa, mas vai conseguir escrever seu nome na história do Cori.

Torneio do Povo, o começo de tudo

Tudo começou lá. A conquista do Torneio do Povo colocou o Paraná no mapa do futebol brasileiro e transformou o Coritiba numa paixão propagada até hoje. Mais do que isso, elevou uma equipe à condição de semideuses do futebol. Atletas como Cláudio Marques, Jairo, Aladim, Krüger, Hidalgo, entre outros são idolatrados até hoje e não poderiam ser esquecidos num momento em que o Alviverde levantaria mais um título. Uma emoção que nenhum deles conseguiu conter ao levantar novamente um troféu e ver a massa gritar novamente “é campeão, é campeão”.

“Realmente, nos deixa muito emocionados porque nós já ouvimos isso há muito tempo e hoje estamos ouvindo com a mesma ênfase”, dispara Jairo, que não escondeu o sorriso por mais uma homenagem. Uma satisfação que o goleiro divide com seus companheiros, mas que mostra o quanto sua passagem pelo Alto da Glória marcou a história. “Eu, o Cláudio, o Aladim fazemos parte dessa festa e do Coritiba”.

Não menos lacrimogênico estava Aladim. “Pelo amor de Deus. Você parou há tanto tempo e ser reconhecido e aclamado por essa imensa torcida num momento desse, a gente fica emocionado mesmo”, diz. Para ele, a conquista do Torneio do Povo foi a marca da glória do Coritiba que está fincada até hoje. “Se hoje existe essa marca do futebol paranaense é porque tudo começou na década de 70, quando o Coritiba -com aquela equipe fantástica, fez grandes campeonatos brasileiros e sempre brigamos pelas primeiras posições”, diz o paulista Cláudio Marques, que não larga mais Curitiba por nada.

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