São Paulo – O ex-piloto Gil de Ferran foi contratado para ser o novo diretor-esportivo da BAR. Aos 37 anos, este paulista nascido em Paris, que se mudou para o Brasil aos nove meses de vida, realiza o sonho de participar da Fórmula 1. O relacionamento com a Honda, casa que defendeu de 1996 a 2001 nos EUA, pesou na escolha. Gil chega para tirar a BAR, vice-campeã no Mundial de Construtores no ano passado, de uma situação incômoda. Nesta temporada, não marcou um ponto sequer em três corridas.

Como piloto, a F-1 sempre foi a meta de Gil. Ele fez o caminho natural dos brasileiros na década de 80: F-Ford por aqui (campeão em 1987), depois Inglaterra (campeão da F-3 em 1992), F-3000 (duas temporadas) e um teste para arranjar equipe. Foi aí que empacou. A única chance concreta que teve foi na Footwork, em 1993, mas entre seus azares esteve uma cabeçada na porta do caminhão da equipe, no Estoril, que para os exagerados selou seu futuro.

Claro que não é um corte na testa que impede ninguém de chegar à F-1, mas com as portas se fechando, Gil se aventurou nos EUA a partir de 1995. Disputou sete temporadas da Cart (a Fórmula Mundial) e duas na IRL. Pela Penske, foi bicampeão da Cart em 2000 e 2001 e em 2003 venceu as 500 Milhas de Indianápolis, parando de correr no final da temporada. ?Prefiro parar enquanto estou bem?, alegou, na época.

Os vínculos com a Europa, no entanto, nunca cessaram. Gil era um dos preferidos da Reynard, fabricante de chassis, e casou-se com uma inglesa. Chegou a ser cotado para correr na Williams e na própria BAR. Agora, assume a função no lugar de Nick Fry, que passa a cuidar apenas de estratégias corporativas e comerciais. ?Nada substitui a experiência em corridas, e Gil dispensa apresentações nesse sentido?, falou Fry, que neste ano assumiu a vaga aberta com a saída de David Richards, considerado o grande responsável pela ascensão da BAR em 2004.