Hedeson A. Silva
Apesar do gol que o tornou artilheiro,
Kléber foi cutucado pelo Gama e desabou
junto com todo o time do Atlético.

O fator Caldeirão foi por água abaixo ontem e os 100% na Arena não existem mais. Numa noite de pouca inspiração e muitos desfalques, o Atlético perdeu para o Gama por 3 a 1 e ameaça entrar em crise. A torcida vaiou todo o time e até pediu a cabeça do técnico Valdyr Espinosa. Hoje, o Rubro-Negro recolhe os cacos e vai se preparar para tentar a reabilitação diante do São Paulo, no domingo.

Era o reencontro com a torcida e chance para manter os 100% em casa. Mais do que isso, uma vitória aumentaria mais ainda a motivação para enfrentar o São Paulo no domingo, considerado o Real Madrid brasileiro. Não deu. O time entrou em campo desfigurado por quatro ausências e não se achou. Os jogadores que entraram não supriram a ausência dos desfalques e nem as estrelas da equipe conseguiram render o mesmo de antes. Resultado: o Gama atacava pouco mas chegava com perigo.

Foi assim no primeiro gol. A zaga fez a linha burra e deixou Dimba à vontade para abrir o placar. Ele entrou como quis na área e só tocou na saída de Adriano Basso. O gol mexeu pouco com os brios dos atleticanos que mantiveram o ritmo. O meia Adriano teve a chance de empatar mais desperdiçou chutando uma bola por cima. Logo em seguida, nova falha geral. O meia Rafael cobrou falta da esquerda, todo mundo ficou olhando e a bola acabou no fundo das redes. Foi a senha para a torcida começar a gritar “raça, raça”. A coisa estava tão feia que o técnico apelou e substituiu Rodrigo, que estava muito mal, por Rogério Souza, que entrou errando vários passes.

As merecidas vaias do intervalo não conseguiram acordar a equipe. O time continuou na mesma, chegava mas não concluía a contento. Desorganizado, o time ia mais na raça do que na técnica e esbarrava na retranca armada. Até Kléber conseguir pegar uma bola ao seu gosto e diminuir. Novamente, o time não soube aproveitar o momento e logo na sequência sofreu o terceiro. E, novamente, Dimba estava lá para deixar mais uma marca. Foi a ducha de água fria e a deixa para os torcedores começarem os protestos atrás do banco de reservas. O treinador teve que ouvir gritos de “burro” e de “fora Espinosa” e mais um sonoro coro de vaia ao final da partida.

Espinosa não admite erro e pede paciência

Apesar dos pedidos da torcida, o técnico Valdyr Espinosa, do Atlético, disse que este não é o momento de fazer terra arrasada. “É o momento de ter tranqüilidade”, pediu. Segundo ele, a torcida está em seu direito de pedir a sua queda. “A torcida pedir a cabeça é normal. Quando eu não me sinto bem eu saio, mas não é o caso”, apontou. Espinosa lamentou as ausências de Cocito e Douglas Silva e agora só quer pensar na partida de domingo, contra o São Paulo. “Quando nós fomos mal, nós não tivemos sorte”, destacou.

Apesar do resultado negativo, agravado pelo fato de o time ter tomado dez gols em quatro partidas, Espinosa não admitiu erro na escalação e nem nas mudanças. “É fácil falar depois do jogo, antes todo mundo concordava com essa escalação”, tangenciou. Apesar de o técnico ter poupado seus jogadores de críticas mais duras, o corpo mole foi detectado pelo capitão da equipe, Kléber. “Tem jogador que está de brincadeira”, esbravejou. O artilheiro apontou a apatia da equipe como o fator decisivo para a derrota e alertou. “Se a gente continuar assim vamos perder as próximas partidas”, finalizou.