Futebol se despede de Cadilhe

O ?pai? do direito esportivo paranaense foi enterrado ontem à tarde, no Cemitério Parque Iguaçu. José Cadilhe de Oliveira, 84 anos, que morreu na noite de segunda-feira, deixou um legado de idealismo, adequado a uma época mais romântica do futebol.

Cadilhe era, há mais de três décadas, presidente do Tribunal de Justiça Desportiva na Federação Paranaense de Futsal. Na Federação Paranaense de Futebol (FPF) foi um dos pioneiros na defesa dos clubes e ganhou respeito de colegas por trabalhar mais por paixão que como meio de vida. ?Era um paladino do direito. Ele cobrava valor tão irrisório que não se importava quando o clube não podia pagar. Fazia porque gostava, e seguiu na profissão até dois meses antes de morrer?, lembra o veterano jurista Humberto Ciccarino Filho, hoje auditor da 3.ª Comissão Disciplinar da FPF. Esta tendência levou a Federação, décadas atrás, a contratar Cadilhe como advogado dativo -aquele pago pela entidade para defender clubes sem condição financeira.

O advogado foi responsável direto pela criação das Juntas de Justiça Desportiva, especializadas no julgamento de clubes amadores. Assim, os tribunais dedicados aos profissionais ganharam desafogo, e o modelo criado no Paraná foi logo copiado por todos os estados. O sistema só foi extinto há poucos anos, com a criação das comissões disciplinares, dedicadas a amadores e profissionais e do tribunal pleno, que julga casos em grau de recurso.

Reconhecido nacionalmente, o ?decano? do direito esportivo também defendeu por muitos anos os grandes clubes paranaenses, como Coritiba, Atlético e Ferroviário, no tribunal da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD). ?Era célebre pela inteligência e muito estudioso. E vivia para alegrar os outros, contando anedotas e distribuindo doces?, conta o jornalista e advogado Boleslau Sliviany, o Boluca.

Apesar da fama, Cadilhe não se dedicou a acumular patrimônio material –  solteiro, vivia num pequeno apartamento no Centro de Curitiba. Preferia investir

em atividades que lhe traziam prazer, como o carnaval curitibano – foi mestre-sala na juventude e um dos principais organizadores da escola de samba Embaixadores da Alegria (foto). Também foi por muito tempo diretor da Sociedade União Juventus.

A FPF, que já havia homenageado Cadilhe ao batizar com o nome dele a nova sala do TJD, decretou três dias de luto oficial pela morte do advogado.

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