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Futebol de salão de luto com a morte de Kudri

  • Por Márcio Rodrigues
Á frente da FPFS, kudri
profissionalizou o esporte.

O esporte do Paraná está de luto. Morreu na noite de quinta-feira, em Balneário Camboriú, o presidente da Federação Paranaense de Futebol de Salão, Jorge Kudri, 65 anos, dirigente que transformou o salonismo paranaense numa das mais importantes modalidades esportivas do Estado.

Kudri viajou para curtir o Carnaval. Mas o câncer, detectado no início do ano passado e que havia sido operado no mês de outubro, não deu trégua ao “guerreiro” do futsal. O enterro está programado para as 10h de hoje, no Cemitério Municipal da Água Verde, onde o corpo está sendo velado, na Capela número 4.

Solteiro, deixa o irmão Abdo Aref Kudri, que é presidente do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Estado do Paraná, como “órfão”, além de ser uma grande perda para o jornal Diário Popular, onde ocupava o cargo de diretor-executivo.

Histórico

A vida de Jorge Kudri se confunde com o futebol de salão. Ele conheceu o esporte quando iniciava sua vida profissional de jornalista no Paraná Esportivo. Kudri ingressou no jornal em 1954, e um ano depois o próprio veículo organizou um torneio aberto da modalidade, tendo como campeão o Terwal. Parece ter sido uma atração simultânea, pois Jorge passou a se envolver com o esporte, começando como treinador, já em 1957. O sucesso foi instantâneo e ele passou por diversas equipes do futsal como Silva Jardim, Talismã, Ferroviário, Círculo Militar entre outros.

Em 1970, Jorge já era um expoente no meio salonista. E neste ano, depois de frustradas tentativas de criação do campeonato estadual, e em meio a uma crise, o então presidente da Federação, Mário de Barros, pediu demissão e abandonou o “barco”. Os dirigentes se reuniram, bateram à porta de Kudri que aceitou o desafio de tocar a entidade.

Depois de enfrentar uma espécie de boicote ao futebol de salão, que ameaçou ser retirado de alguns jogos oficiais do Estado, Kudri foi, aos poucos, fazendo da FPFS uma entidade com lastro de organização e eficiência, lembrando mais uma empresa bem gerenciada do que uma associação esportiva. “Quando ele assumiu, a Federação dava expediente às segundas-feiras à noite, numa das salas do Palácio das Federações, um casarão bancado pelo poder público, onde cada entidade tinha uma pequena sala”, revela Firmino Dias Lopes, jornalista que foi, por 31 anos, o vice-presidente da entidade, ajudando o dirigente.

“Jorge Kudri mudou aquele panorama. Tirou dinheiro do bolso, alugou uma sala na Desembargador Westphalen, contratou pessoal e botou a entidade para funcionar em horário comercial, facilitando assim a vida dos dirigentes do interior”, acrescenta Dias Lopes.

Legado

Sob seu comando, o futsal do Paraná de hoje é um exemplo a ser seguido. Tem sede própria, organiza nove categorias – da base ao profissionalismo -, tem sempre equipes de ponta participando de competições nacionais. Tudo isso começou quando Kudri traçou seu planejamento, priorizando a base e, mais tarde, ampliando a base de atuação da entidade, nunca esquecendo de fortalecer o interior do Estado.

Ao final da temporada de 1994, quando o Guarani/Impacel, de Arapoti conquistara o tetracampeonato da Taça Paraná, e já era um time profissional, Kudri criou, em 1995, o tão sonhado campeonato estadual, dividindo as equipes em três divisões (Série Ouro, ou divisão especial; Série Prata, ou primeira divisão; e Série Bronze ou segunda divisão).

Na área administrativa, Kudri deixa como legado uma entidade saudável financeiramente, que nunca deixa de enviar suas seleções às competições nacionais, e que faz de Dias Lopes um “herdeiro” de uma espécie de empresa modelo. Por tudo isso, Jorge Kudri vai deixar saudade e boas lembranças.

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