Foto: Carlos Costa/Focal

Ferreira e Alex Mineiro comemoram. Mas só valeu pelo gol marcado fora de casa.

De nada adiantaram as lições de Salvador. Ontem à noite, em Goiânia, o Atlético voltou a vacilar na Copa do Brasil e foi derrotado por 3 a 1 pelo Atlético-GO. Agora, para seguir na briga pelo título nacional, o Furacão precisa vencer por pelo menos 2 a 0 o jogo de volta, na próxima quarta-feira, na Baixada. Se sofrer um gol, precisará de quatro para evitar os pênaltis.

A situação lembra a disputa com o Vitória, na fase anterior. Após perder por 4 a 1 na Bahia, o Rubro-Negro precisou da ajuda da torcida e uma atuação impecável para reverter a vantagem, vencendo por 3 a 0 em Curitiba.

Antes da partida de ontem, todos no elenco atleticano garantiam que o susto não se repetiria. No início do jogo, o time até deu a impressão que cumpriria a promessa. Com Ricardinho no ataque, ao lado de Alex Mineiro, o Furacão partiu com tudo para cima do xará.

O goleiro Márcio teve que trabalhar logo aos 9?, espalmando uma bomba de Evandro. Aos 12?, ele não pôde fazer nada para evitar o golaço de Ferreira. Ricardinho fez boa jogada pela direita e tocou para o camisa 10, que deu um chapéu no zagueiro, matou no peito e bateu na saída do goleiro.

Mas não houve tempo para festa. Logo após a saída de bola, a zaga do Furacão deu bobeira e Anaílson aproveitou um bate-rebate na área para deixar tudo igual.

O empate não abalou o time da Baixada, que continuou dominando a partida. Mas, sem inspiração, o ataque atleticano levava pouco perigo ao gol defendido por Márcio. As melhores chances foram em chutes de longe do meia Evandro, que parou no goleiro do Dragão.

Ponto fraco

Aos 34?, a defesa do Furacão voltou a mostrar seu velho ponto fraco. Wesley bateu escanteio e Gilson subiu livre para testar a bola para as redes e fazer 2 a 1 para os goianos.

Na saída para o intervalo, os jogadores prometeram mais raça e atenção no segundo tempo. Mas não foi o que se viu. Com exceção de Ferreira, disparado o melhor em campo, o time voltou sonolento e sem criatividade.

O Rubro-Negro paranaense tinha mais volume de jogo, mas a bola não chegava aos atacantes. O técnico Vadão tentou mudar o panorama, colocando Netinho e Válber nos lugares de Evandro e Ricardinho, sem sucesso. Pedro Oldoni também teve sua chance, substituindo Michel, mas quase não tocou na bola.

O castigo veio aos 43?. Em mais um escanteio batido por Wesley, a zaga voltou a vacilar, Cléber saiu mal do gol e o zagueiro Roni marcou, de cabeça, 3 a 1 para o Dragão.

Agora, o Furacão terá que fazer mais uma partida de superação para continuar na Copa do Brasil. Antes disso, outra decisão. Domingo, também na Arena, o Rubro-Negro enfrenta o Paraná, precisando de uma vitória para assegurar vaga na final do Paranaense.

Terror da bola alta

Quando o adversário levanta a bola na área do Atlético, a torcida rubro-negra já leva as mãos à cabeça. As falhas nas jogadas aéreas se repetem desde o ano passado e voltaram a ser decisivas ontem, em Goiânia.

Porém, o técnico Vadão não reconhece o problema e diz não estar preocupado. ?Aconteceu neste jogo e contra o Cianorte, mas não vinha acontecendo. Vão falar no ano passado. Mas em 2007, nosso aproveitamento na bola aérea é muito bom?, afirmou o treinador após a derrota de 3 a 1 para o Atlético-GO.

Já Alex Mineiro não se conformava com os erros. ?Trabalhamos bastante a bola parada, sabíamos que eles tinham essa jogada, mas mesmo assim tomamos dois gols em escanteios?, disse o artilheiro, apontando outra falha da equipe. ?O campo é grande e bom para sair jogando, mas ficamos dando chutões para frente?, reclamou.

COPA DO BRASIL 2007
oitavas-de-final ­ jogo de ida
Gols: Ferreira, aos 12?; Anaílson, aos 14?, e Gilson, aos 34? do 2.º tempo. Roni, aos 43? do 2.º tempo.
Árbitro: Sérgio da Silva Carvalho (DF)
Assistentes: Renato Miguel Vieira e Marrubson Melo Freitas (DF)
Cartões amarelos: Anaílson, Roni (ACG), Marcão, Alex Mineiro (CAP)
Local: Serra Dourada, em Goiânia (GO)
Público: 5.261 pagantes
Renda: R$ 59.261

ATLÉTICO-GO 3 x 1 ATLÉTICO-PR

Atlético-GO
Márcio; Dida, Gilson (Roni ­ 31? 2.º), Jairo e Possato (Cardozo ­ 38? 2.º); Robston, Jair, Wesley e Anaílson; Rômulo e Fábio Oliveira (Lindomar ­ 24? 2.º). Técnico: Artur Neto.

Atlético-PR
Cléber; Nei, Danilo, Marcão e Michel (Pedro Oldoni ­ 34? 2.º); Erandir, Alan Bahia, Evandro (Netinho ­ 19? 2.º) e Ferreira; Alex Mineiro e Ricardinho (Válber ­ 23? 2.º). Técnico: Oswaldo Alvarez.

Ingresso pela metade pra lotar a Arena

Para reverter a derrota sofrida em Goiânia, o Atlético mais uma vez vai contar com toda a força de sua torcida.

E a galera já ganhou uma ajuda providencial para transformar novamente a Arena no temido Caldeirão do Diabo. Na Copa do Brasil, os ingressos vão continuar com 50% de desconto.

O anúncio foi feito antes mesmo da partida de ontem, pelo presidente do conselho deliberativo, Mário Celso Petraglia. ?Decidimos manter a promoção para toda a Copa do Brasil. Para o jogo de volta com o Atlético Goianiense e nas próximas fases, nos jogos em casa?, revelou o dirigente.

A idéia é repetir o clima criado no jogo de volta contra o Vitória, na fase anterior da Copa.

?Decidimos naquela ocasião atender a um apelo dos jogadores e entendemos que a Copa do Brasil é nossa prioridade. Então, vamos manter a promoção?, afirmou Petraglia.

Assim, em todos os jogos em casa do Atlético na competição nacional, os preços serão de R$ 15 no setor gols e R$ 20 nas retas.

Os sócios do Furacão terão direito a um ingresso extra, de graça.

Palmeiras quer levar Denis Marques

O Palmeiras quer tirar Denis Marques do Atlético, mas se assustou com a pedida rubro-negra pelo atacante. O clube paulista fez uma sondagem junto ao Furacão, que pediu 4 milhões de dólares (pouco mais de R$ 8 milhões) pelo artilheiro, informa matéria da Agência Estado.

Segundo o empresário do jogador, o interesse do Verdão já é antigo. ?Já há dois ou três meses isso tem sido conversado?, afirmou Sérgio Belotti à AE. Porém, o alto valor pedido pelos dirigentes do Atlético deve inviabilizar o negócio. ?Acho difícil o Denis ser vendido no mercado nacional?, diz o agente.

Belotti também considera quase impossível a possibilidade de um empréstimo.  ?O Atlético não o emprestou nem para um clube japonês, o Jubilo Iwata?, ressaltou.

Segundo a AE, o Furacão teria rejeitado uma oferta de 2 milhões de dólares(R$ 4 milhões) dos japoneses, em dezembro passado.

Mesmo assim, o Palmeiras não deve desistir de Denis. ?Ele está bem lá, vai ser difícil contratá-lo. Mas isso pode evoluir até o final da semana?, diz o diretor de futebol Savério Orlandi. No Atlético, como de praxe, ninguém comenta o assunto.