O técnico Abel Braga pregou durante toda a semana a importância de o Fluminense não sofrer gols para o Olimpia, no primeiro duelo das quartas de final da Libertadores. Ao ponto de exagerar e dizer que era melhor evitar um gol do que fazer um. O resultado, 0 a 0, nesta quarta-feira, em São Januário, deveria, portanto, ter deixado satisfeito Abel, os jogadores e torcedores.

Mas ninguém parecia alegre depois da partida, realizada sob intensa chuva no segundo tempo. Abel, de semblante fechado e bufando no banco de reservas, a torcida chiando nas arquibancadas e os jogadores desanimados na saída de campo.

“Agora a vantagem do empate é nossa. Qualquer igualdade com gols é nossa e 0 a 0 leva para os pênaltis”, comentou Fred, que teve apenas uma chance de marcar, ao comentar as possibilidades tricolores para o jogo da volta, daqui a uma semana, em Assunção. “Eles estavam todos atrás da linha da bola. Precisamos arriscar chutes cruzados, aprofundar o jogo. Pecamos nisso aí”, analisou.

Durante a primeira etapa, o Fluminense tentou impor-se, pressionar, mas tinha dificuldades de chegar com perigo à área adversária. Finalizava pouco, apesar do domínio territorial. As ordens de Abel se faziam evidentes no posicionamento do meio de campo. Edinho e Jean, e até Wagner, preocupados em avançar demais e deixar espaços para contra-ataques.

Com isso, a melhor chance dos anfitriões surgiu logo aos 5 minutos de jogo, de um escanteio. Wellington Nem cruzou e o zagueiro Leandro Euzébio deve ter se assustado ao ficar frente a frente com Silva, pois demorou a chutar e o goleiro paraguaio salvou.

Os 45 minutos finais apresentaram um duelo de ataque contra defesa. O Olimpia pouco passava da intermediária e Diego Cavalieri não precisou sujar o uniforme de lama. O que indicou aos tricolores que era preciso pressionar mais. Foi o que fizeram.

Sem receber bolas na área, Fred a deixou para servir Rhayner, que driblou o goleiro, mas furou no momento do chute. Um minuto depois, aos 21, Carlinhos fez boa jogada pela esquerda e serviu o artilheiro, mas Candía abafou na hora certa.

O esgotamento do esforço defensivo custou a expulsão de Aranda, aos 37. O volante foi vencido na corrida e recebeu o segundo cartão amarelo. A retranca que já era enorme se tornou absurda e Abel lançou todos os seus atacantes do banco em busca do gol que disse ser menos importante durante os dias de preparação.

Entraram Rafael Sóbis, Felipe e Samuel. Mas o time jogava mal coletivamente, com Wagner (e depois Felipe em seu lugar) incapaz de armar os ataques tricolores. Por fim, o tal 0 a 0 que Abel dizia ser satisfatório. Mas a torcida na arquibancada não pareceu concordar.

FICHA TÉCNICA:

FLUMINENSE 0 X 0 OLIMPIA

FLUMINENSE – Diego Cavalieri; Bruno (Rafael Sóbis), Leandro Euzébio, Digão e Carlinhos; Edinho (Samuel), Jean e Wagner (Felipe); Rhayner, Wellington Nem e Fred. Técnico – Abel Braga.

OLIMPIA – Martín Silva; Manzur, Miranda, Candía e Giménez (Pérez); Báez (Ariosa), Aranda, Ortiz, Salinas; Salgueiro (Castorino) e Bareiro. Técnico – Ever Almeida.

ÁRBITRO – Roberto Silvera (URU).

CARTÃO AMARELO – Bruno, Jean, Edinho, Carlinhos (Fluminense). Aranda, Manzur, Báez, Ortiz (Olimpia).

CARTÃO VERMELHO – Aranda (Olimpia).

RENDA – R$ 544.000,00.

PÚBLICO – 14215 pagantes (16907 presentes).

LOCAL – Estádio de São Januário, no Rio.