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Flamengo se destaca e Botafogo, Vasco e Fluminense sofrem nas finanças

  • Por Estadão Conteúdo

Enquanto o Flamengo foi o clube com a segunda maior receita em 2018, atrás apenas do Palmeiras, a realidade dos outros times grandes do Rio de Janeiro é bem diferente. A agremiação rubro-negra nada de braçada no cenário carioca, muito à frente dos rivais Botafogo, Fluminense e Vasco. A situação mais delicada é a do Botafogo, que “caminha para uma situação de completa insolvência”, segundo a Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol de 2018 promovida pelo Itaú BBA.

O Botafogo é clube com a maior dívida total, com R$ 672 milhões – aumento de R$ 18 milhões de 2017 para 2018. A receita total, por sua vez, caiu de R$ 201 milhões para R$ 170 milhões no período. “A dívida que o clube carrega é muito grande, incompatível com as receitas e a capacidade de geração de caixa (cerca de R$ 25 milhões) do clube. Fica claro que o esforço para se tornar mais eficiente operacionalmente teria que ser maior do que já vem sendo feito”, define o estudo.

As situações de Fluminense e Vasco estão mais equilibradas. O clube tricolor ainda sofre com a dependência de vender jogadores, fator fundamental para o crescimento de 19% das receitas totais de 2017 para 2018. Porém, o alerta é ligado para o fato de o clube ter tido queda nos ganhos com publicidade (-18%) e bilheteria e programa de sócio-torcedor (-23%). “O clube se apoiou muito mais na venda de atletas para lidar com ano de 2018. Sabemos que isso é uma política bastante arriscada”, alerta o análise.

No Vasco, o fato positivo é de que houve aumento nas receitas recorrentes. Também conseguiu diminuir a dívida total de R$ 533 milhões para R$ 496 milhões, muito por causa do faturamento de R$ 86 milhões com venda de jogadores. Em contrapartida, o clube aumentou as despesas em 9% e os impostos cresceram em razão de novos parcelamentos. “É muita dívida para a capacidade atual de geração do clube.”

Os números dos últimos anos do trio carioca acarretaram em outro problema nesta temporada. Botafogo, Fluminense e Vasco convivem com atrasos nos pagamentos de salários tanto de jogadores quanto de outros funcionários. No Botafogo, por exemplo, os atletas não dão mais entrevistas em forma de protesto contra a diretoria. No Vasco, funcionários realizaram greve na sede social no mês passado e tiveram reunião com o presidente Alexandre Campello. O Fluminense, por sua vez, vem quitando os débitos após ter visto um protesto emblemático no início deste ano: o elenco se recusou a treinar no dia 19 de fevereiro.

Já o Flamengo tem ostentado em contratações em 2019. O último grande investimento foi com o meia Gerson, comprado por quase R$ 50 milhões da Roma (ITA). O clube rubro-negro arrecadou R$ 536 milhões em 2018 e tem as contas equilibradas. Consequentemente, foi o segundo time que mais gastou com reforços no ano passado, com R$ 135 milhões, atrás novamente apenas do Palmeiras.

O abismo financeiro entre Flamengo e os outros grandes do Rio de Janeiro é explicado pela gestão e pela capacidade de geração de receitas. A dívida vem caindo ano após ano e fechou em R$ 418 milhões no fim do ano passado. Segundo o estudo, “passou a ser compatível com a capacidade de pagamento do clube” rubro-negro.

“O Flamengo entendeu lá atrás que era fundamental reorganizar a gestão para não quebrar, e os outros continuaram com suas gestões amadoras e não levaram a sério que o futebol precisa se profissionalizar. O Flamengo se apropriava menos do que poderia antigamente. Hoje, é uma potência econômico-financeira”, diz o consultor do Itaú BBA, César Grafietti.

“Os outros clubes do Rio de Janeiro continuaram com seus dirigentes arcaicos e não entenderam que precisavam abrir mão de conquistas no curto prazo para ter conquistas a longo prazo. É o problema do clube político. O dirigente quer ser campeão, não pensa em arrumar a casa para o próximo. No Flamengo, não. O presidente (Eduardo Bandeira de Mello) sofreu críticas, porque não ganhava. Mas o clube entrou em uma estrutura capaz de ganhar”, acrescenta o consultor.

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