São Paulo (AE) – Incentivo fiscal para o esporte? Essa tem sido uma das principais reivindicações no cotidiano do esporte, mas a área não conta com uma Lei Rouanet, como a da cultura, que estimula o investimento de patrocinadores com descontos no Imposto de Renda. Apesar disso, o projeto de vôlei feminino da Finasa/Osasco conseguiu, na prática, um incentivo fiscal para seus investimentos no esporte, que será de R$ 2,4 milhões para 2005. Não no time principal de vôlei, aquele comandado por José Roberto Guimarães que disputa a Superliga, mas para os núcleos de formação para meninas, até 18 anos, em vôlei e basquete.

É o primeiro projeto de esportes a conseguir incentivo fiscal. E foi preciso quase um ano de trabalho e pesquisas, com a ajuda de profissionais da área jurídica atuando pelos ministérios em Brasília, para os organizadores do projeto descobrirem a fórmula para obter o incentivo fiscal para a formação e as equipes de base (iniciantes A e B, pré-mirim, mirim, infantil 1 e 2 e infanto-juvenil, no vôlei, mais as do basquete).

O Bradesco, empresa que aplica os recursos no projeto, usando a marca Finasa, depositou 1% do Imposto de Renda devido no Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), gestor do Fundo Nacional para a Criança e o Adolescente (FNCA). O fundo é uma conta bancária especial em que o imposto devido é depositado e destinado a um projeto esportivo-social, para crianças e adolescentes.

"Inscrevemos o projeto no Conanda. Eles analisaram e aprovaram. A partir daí fizemos o depósito de um percentual do imposto devido e o fundo (descontados 20%) nos devolveu o dinheiro para investirmos no projeto, como se fosse o incentivo fiscal da Lei Rouanet", explica o diretor executivo do Bradesco Celso Barbuto. "Mas isso não beneficia a categoria adulta. Só os trabalhos de formação." As meninas vão usar o nome Conanda, como o dos patrocinadores, na camiseta, informa Hilton Gomes, gerente de esportes do programa.

A dedução é limitada a 1% no caso de empresas e a 6% no caso de pessoas físicas. O Finasa está, inclusive, divulgando um manual para explicar como podem ser utilizados os incentivos fiscais. Com isso, inclusive clientes do banco que queiram apoiar o esporte podem direcionar parte do Imposto de Renda devido para as meninas do vôlei e basquete.

"Seria muito bom se projetos, em outros pontos do Brasil, tivessem o incentivo do Conanda. Isso poderia mudar o esporte, não só o vôlei, no País", afirma a técnica Irma Conrado, que trabalha com categorias de base desde 1972, atualmente em Osasco e no Centro Olímpico de São Paulo.

Rexona-Ades vence e empata semifinal

Rio de Janeiro – O Rexona-Ades venceu o Oi/Campos por 3 a 1 (19/25, 25/15, 25/13 e 25/16), em 1h39m, na tarde de ontem no Ginásio do Tijuca, no Rio. Com a vitória, o time empatou em 1 a 1 a série melhor de cinco da semifinal da Superliga Feminina 2004/2005. Apesar de perder o primeiro set, a equipe reagiu e corrigiu os erros. Para o técnico medalha de ouro em Atenas, Bernardinho, a derrota no último jogo influenciou na performance inicial. A próxima partida será nesta terça-feira no Ginásio do Tijuca, no Rio de Janeiro.

"Sabia que seria difícil. A derrota, que quebrou a nossa invencibilidade na temporada, desconcentrou as jogadoras no primeiro set. Sei que as próximas partidas serão equilibradas, mas basta termos atenção", disse Bernardinho.

No primeiro set, o Rexona-Ades falhou muito no bloqueio e na recepção, o que levou a atacante Renatinha, a maior pontuadora da competição, a fazer a diferença e ajudar Campos a vencer por 25 a 19, em 24 minutos.

"O jogo teve um sabor diferente porque vacilamos em Campos e, quando perdemos o primeiro set, procuramos ajustar o passe. Um time que mescla juventude e experiência deve procurar amadurecer e não deixar o erro permanecer. A bobeada que demos neste jogo não pode se repetir", disse a experiente levantadora Fernanda Venturini, 11 vezes campeã da Superliga.

Com menos erros e com o bloqueio efetivo, o Rexona-Ades teve tranqüilidade na segunda parcial e desde o início abriu boa vantagem. Depois de 25 minutos, a equipe fez 25 a 15.

"Na verdade não estamos tranqüilos. O jogo foi difícil, entramos mal, mas o espírito de grupo venceu. Estou muito feliz porque a equipe soube se superar e mostrou que está preparada emocionalmente. Tivemos mais postura", disse a atacante Leila.

O terceiro set foi bastante parecido com o anterior. A equipe manteve o ritmo e os acertos em todos os fundamentos, quando em 24 minutos fechou a parcial com 12 pontos de diferença (25 a 13).