O presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciou a criação de uma força-tarefa que terá a missão de tentar reerguer a infraestrutura futebolística do Haiti, que desmoronou assim como os destroços provocados pelo forte terremoto que assolou o país em 2010.

Este grupo de trabalho será composto por integrantes da Fifa, da Concacaf, da Federação Haitiana de Futebol (FHF) e do governo nacional. A formação desta força conjunta foi definida depois de intensas conversas sobre o desenvolvimento do país caribenho com o presidente do Haiti, Michel Martelly.

“Viemos aqui para apoiar o Haiti em seus esforços de reerguer o futebol após o terremoto de 2010”, disse Blatter, na última terça-feira, em Porto Príncipe, durante discurso no Estádio Sylvio Cator, reformado com os recursos de um fundo especial da Fifa para o desenvolvimento. “Este país tem muito talento e precisamos fazer ainda mais para permitir que ele brote. O desejo do presidente do Haiti existe e, juntos, decidimos criar um grupo de trabalho envolvendo a Fifa, a Concacaf, a Federação Haitiana e o governo nacional, que deverá elaborar um plano para reviver o futebol do país até o fim deste ano”, projetou.

A força-tarefa criada foi exaltada pelo presidente da Concacaf, Jeffrey Webb, que também marcou presença no Haiti e se encontrou com Blatter. “Hoje é um momento de definição para a Concacaf e o Haiti. Quando unimos forças entre o mundo do futebol e as autoridades governamentais, podemos obter mais investimento para nosso esporte”, ressaltou.

Blatter, por sua vez, lembrou que a Fifa já vinha ajudando o Haiti desde 2010, quando o país foi atingido pelo terrível terremoto, que matou cerca de 220 mil pessoas e destruiu casas de aproximadamente 1,5 milhão de pessoas, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Os programas de educação e desenvolvimento estão na base do futebol. Precisamos levar o futebol às escolas e, para isso, necessitamos do apoio das autoridades governamentais. Além disso, precisamos formar os educadores. Nós, da Fifa, continuaremos ajudando o Haiti. Foi o que fizemos com os US$ 4 milhões oferecidos por meio de fundos para o desenvolvimento após o terremoto de 2010”, disse o dirigente.

Deste valor total, US$ 3 milhões foram destinados aos trabalhos de reconstrução após o terremoto, incluindo fundos de ajuda emergencial e a renda de amistosos jogados pelas 32 seleções participantes da Copa do Mundo de 2010. Todo este montante foi direcionado à recuperação da infraestrutura e à revitalização das competições no país, além da criação de uma seleção feminina sub-17.

O presidente haitiano Michel Martelly também exibiu empolgação com a possibilidade de conseguir reerguer o futebol no país. “Adoramos o futebol aqui no Haiti, e eu sou um grande torcedor, além de já ter sido jogador. Precisamos fazer um esforço no país para recolocar o futebol haitiano na elite de nossa região”, enfatizou, antes de assegurar: “O governo dá todo apoio ao esporte. Nós nos concentraremos na infraestrutura, sendo que já construímos mais de 40 estádios nos últimos dois anos. Precisamos dar uma oportunidade a nossa juventude, porque afinal o futebol tem muitos aspectos positivos além do esportivo, incluindo o de fomentar a educação e a saúde”.

A própria nova sede da FHF, também financiada pelo fundo criado pela Fifa, foi inaugurada durante a visita do presidente Blatter ao Haiti, onde o dirigente não marcava presença desde 2000. A sede anterior da entidade, inclusive, foi destruída pelo terremoto de 2010 e 32 corpos foram retirados do local.