Festa na chegada dos heróis paraolímpicos

Uma recepção calorosa e muita emoção. Assim foi a chegada dos atletas paraolímpicos paranaenses que trouxeram de Atenas a primeira medalha de ouro do futebol brasileiro em competições olímpicas ou paraolímpicas. O jogador Nílson Pereira da Silva, o auxiliar técnico Roderley Ferreira e o coordenador técnico Mário Sérgio Fontes desembarcaram ao lado dos nadadores Fabiano Machado, José Afonso de Medeiros, Moisés Domingues Batista e do mesa-tenista Luiz Algacir, por volta do meio-dia de ontem, no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais.

No saguão de desembarque, um grupo de aproximadamente duzentas pessoas os aguardava com faixas, cartazes e um coral infantil da Caixa Econômica Federal (patrocinadora oficial da delegação brasileira), que cantou durante a chegada dos heróis paraolímpicos.

O evento foi organizado pela Adevipar (Associação dos Deficientes Visuais do Paraná) e pelo Instituto Paranaense dos Cegos (IPC) e os paratletas de Curitiba subiram num caminhão do Corpo de Bombeiros, seguindo em direção às duas entidades, pela Avenida Marechal Floriano, entrando na Visconde de Guarapuava até chegar à sede do IPC. Durante todo o trajeto, eles foram recebidos como heróis pelos populares que paravam para acenar e aplaudir a carreata, que era composta por aproximadamente trinta veículos.

“Foi impressionante sentir a população nos receber tão carinhosamente”, afirmou Nílson, ala/pivô que carregava com orgulho a tão sonhada medalha de ouro que o País conquistou nos Jogos Paraolímpicos de Atenas, na modalidade futebol de 5 (para cegos).

Humilde e mostrando muita emoção pela recepção, Nílson ainda disse estar se sentindo nas nuvens com os últimos dias. “É bom saber que a gente tem tantos amigos. Essa recepção foi maravilhosa. Quanto ao futuro, a nossa espectativa é seguir entre os melhores. Sabemos da dificuldade de se manter essa hegemonia, mas como o sucesso foi fruto de muito trabalho, acredito que se mantivermos a seriedade e a dedicação, poderemos nos manter no topo por muito tempo”, ponderou o campeão paraolímpico.

De volta a Curitiba, o grupo se dispersou logo após a recepção no IPC, com os nadadores Fabiano, José Afonso e Moisés seguindo ao lado de Algacir para a sede do Clube dos Deficientes (Cede) para outro evento de boas-vindas, enquanto Roderley e Mário Sérgio foram para suas casas. Apenas Nílson seguiu para a Adevipar, no Sítio Cercado, onde foi recebido por cerca de 50 pessoas para mais uma festa.

Primeiro desembarque em SP

A delegação brasileira chegou ao País ainda na madrugada de ontem, procedente de Atenas, em três vôos. Dois desceram em São Paulo e um no Rio. Na chegada, também muita festa para a delegação que trouxe na bagagem 33 medalhas paraolímpicas (14 de ouro, 12 de prata e 7 de bronze), na melhor campanha brasileira em todos os tempos.

Os destaques do grupo foram o nadador potiguar Clodoaldo Silva (que se tornou o maior medalhista da história, com seis de ouro e uma de prata) e a velocista Ádria Santos (uma ouro e duas de prata).

“Não esperava uma recepção dessas. Quando ligava para os meus pais e amigos, eles falavam que a repercussão aqui estava sendo grande. Mas os amigos sempre aumentam um pouco, fiquei desconfiado. Está sendo maravilhoso, o povo brasileiro é muito caloroso!”, disse Clodoaldo, de 25 anos, que teve paralisia cerebral ao nascer e ficou sem os movimentos das pernas.

“Quando voltei de Sydney não houve tanta festa. Várias vezes voltei de viagens e ninguém perguntava nada”, contou. Mas teme que a “euforia” acabe logo. “Me preocupo bastante com o nosso futuro, porque ainda falta apoio. Mal tenho tempo de ver minha filha.”

Atletas reivindicam respeito

Clodoaldo e Ádria aproveitaram a ocasião para chamar a atenção das autoridades para o descaso com os deficientes físicos brasileiros, que são 26 milhões. “Sentimos falta de locais adaptados. Para chegar ao treino é uma aventura. Nunca sofri discriminação verbalmente. Para mim, a maior discriminação é não termos direito a lugares e adaptações nos ônibus”, falou o nadador. E ela completou: “Todo mundo sofre, fica complicado de se locomover.”

O fundista Odair dos Santos, deficiente visual, exibia com orgulho as três medalhas conquistadas (duas pratas nos 1.500m e 5.000m e um bronze, nos 800m). “Isso aqui é um sonho” admitiu. Em seguida, Suley Guimarães, ouro no lançamento de disco, revelou ter cumprido seu objetivo e que a medalha de ouro era em homenagem a todos os brasileiros. A nadadora bicampeã paraolímpica dos 50m livre, Fabiana Sugimori, diz que a medalha em Atenas teve um “sabor especial”. Ela bateu o recorde paraolímpico da prova e foi apoiada pelos irmãos e ex-nadadores (Flávia e Marcelo) e pela mãe (Hilda). “Foi uma emoção muito grande.”

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