Rio (AG) – Parece que foi ontem mas, em 2005, completam-se dez anos que o paulista Rodrigo Menezes conquistou, pela primeira vez para o Brasil, um campeonato mundial de skate vertical. Durante esse tempo, muita coisa mudou. Rodrigo voltou para São Paulo, muitos outros brasileiros se mudaram para os Estados Unidos e o Brasil conseguiu um espaço até então impensável entre os melhores skatistas do mundo.

De passagem pela cidade para disputar o Rio Vert Jam, que termina domingo, no Parque dos Patins, na Lagoa, com as finais do skate, a partir das 10h30, Digo Menezes, como é conhecido, faz uma análise sobre esta década de skate: "O esporte evoluiu bastante nesse tempo. Há dez anos, um cara de 27 anos já estava se aposentando. Hoje, está no auge da carreira. Quando alguém pensaria que o Sérgio Negão, com 42 anos, estaria andando tão bem, e provavelmente vai chegar aos 50 disputando campeonato?", questiona o paulista, que completa 28 anos no fim do mês.

Outra mudança, segundo ele, é a imagem do skatista, que está mais responsável: "Antes, o skatista era uma pessoa mais despreocupada. Com a profissionalização, isso mudou. Hoje, temos uma imagem a zelar, até porque tem patrocinadores por trás de nós. Mas não perdemos a espontaneidade", afirma.

Rodrigo foi um dos desbravadores brasileiros nos Estados Unidos. Quando se mudou, em 1984, apenas ele, Rodil Araújo, o Ferrugem, e Bob Burnquist moravam lá. Um ano depois, vieram os primeiros títulos: em junho, Burnquist conquistou o campeonato americano em Vancouver, no Canadá. No mês seguinte, foi a vez de Rodrigo ser o primeiro no circuito mundial europeu.

"O Bob ganhou e, logo em seguida, fui eu. Ficou todo mundo surpreso; ninguém nos conhecia muito. Mas foi aí que eles passaram a prestar mais atenção em nós", lembra Rodrigo.

A temporada nos EUA durou quatro anos. Nesse tempo, dividindo apartamento e sem grandes luxos, ele conseguiu patrocínio de algumas empresas norte-americanas. Quando voltou, acabou se afastando um pouco do circuito mundial. No ano passado, venceu mais uma vez o mundial europeu. Mesmo concordando que seria tudo mais fácil se morasse nos Estados Unidos, Rodrigo não pensa em refazer o caminho que o levou à Califórnia há dez anos atrás: "Há uma panelinha, e quem está lá acaba se beneficiando. Mas eu só voltaria se tivesse uma estrutura."