Lucas admitiu que a saudade da família e dos amigos atrapalhou a sua primeira temporada no Paris Saint-Germain. Contratado por mais de R$ 110 milhões, o ex-são-paulino oscilou e acabou terminando o ano na reserva. Mas agora, já adaptado, virou peça fundamental no esquema do técnico Laurent Blanc em uma equipe cheia de astros mundiais.

Nesta entrevista exclusiva, o atacante, que neste sábado enfrenta o vice-lanterna Bastia, pelo Campeonato Francês, comemora a ascensão e acredita estar no caminho certo para continuar progredindo. Ele fez sete gols na primeira metade da temporada, superando os cinco que marcou ao longo de toda a passada.

Agência Estado – Você oscilou na sua primeira temporada, mas agora parece ter se encontrado.

Lucas – Comecei bem, mas tive uma adaptação complicada. Acho que é normal, todo mundo passa por esse momento, ainda mais quando é jovem. Mas graças a Deus isso passou e estou vivendo minha melhor fase aqui, não tenho a menor dúvida disso. Posso evoluir mais.

AE – Quais foram as maiores dificuldades no primeiro ano?

Lucas – Sem dúvida dentro do campo muda, mas para mim a pior parte foi fora do campo. Quando jogava no São Paulo, eu morava perto do trabalho, tinha os amigos e a família sempre ao alcance. Isso é uma coisa de que sinto falta aqui, desse clima de alegria, de ter os amigos para um churrasco no fim de semana. Aqui é diferente, os europeus são um pouco mais frios, não têm muito essa proximidade. Mas o clube tem muitos brasileiros e isso me ajudou bastante, estamos nos encontrando sempre.

AE – Você nunca foi um artilheiro, mas agora tem feito gols com frequência. Mudou a forma de jogar?

Lucas – Sempre fui mais de criar as jogadas. Na base era meia armador, foi no profissional que fui para a ponta e passei a jogar mais adiantado. Gosto de carregar a bola, acelerar o jogo, partir para cima, mas venho trabalhando também para fazer mais gols, já que não era de fazer muitos no São Paulo. Por ser atacante, sei que é importante fazer gols de vez em quando e é o que tento fazer.

AE – Agora que é conhecido, o assédio aumentou?

Lucas – Está aumentando (risos), mas sou uma pessoa normal, gosto de fazer as coisas sozinho, às vezes vou sozinho na Torre (Eiffel). As pessoas olham, às vezes não acreditam. As pessoas aqui são mais contidas, têm um pouco mais de receio. Mas sou um cara muito receptivo, converso e tiro fotos.

AE – O time tem uma base que vem junta há algum tempo. Quando será hora de brigar para ganhar a Liga dos Campeões?

Lucas – Espero que logo, é um time que está junto há quase três anos e vamos jogando cada vez mais. Apesar de termos jogadores experientes, é preciso que o clube se acostume a jogar a competição e também a impor respeito ao adversário. Nos últimos anos fomos eliminados por dois grandes rivais (Barcelona e Chelsea), e nesta temporada chegamos fortes para brigar pelo título.

AE – Jogando há mais tempo na Europa, dá para dizer que é um futebol mais evoluído?

Lucas – É difícil falar. Sem dúvida nenhuma, na qualidade técnica somos superiores, mas no coletivo e na parte tática precisamos evoluir um pouquinho, basta ver a Alemanha. Se pedir para apontar um craque alemão, vários jogadores serão citados. É um time bem montado, e nisso estamos um pouco atrás. Usamos muito o improviso, às vezes um cara que é ponta acaba jogando na lateral. Aqui o jogo é muito rápido, você domina a bola e tem três em cima. Mas não acho que estejamos tão atrás, não.

AE – Não ter ido para a Copa já é algo superado?

Lucas – Está superado há muito tempo. Claro que fiquei chateado porque sempre falei que era um sonho meu, mas temos de estar preparados. Já levantei a cabeça, tenho tempo para disputar muitas Copas e vou batalhar para isso.

AE – O que achou dos 7 a 1 para a Alemanha?

Lucas – Nem eles imaginavam que era possível, mas são coisas que o futebol nos prepara, tem coisas maravilhosas e coisas trágicas. Tem de dar os parabéns para a Alemanha e bola para a frente. Não adianta ficar lamentando.

AE – E quais os seus próximos passos na carreira? O que planeja?

Lucas – Meu primeiro objetivo é me firmar como titular no PSG, que é algo que estou fazendo. Depois é a seleção. Infelizmente não pude me apresentar na última convocação porque estava machucado, mas em março estarei pronto para vestir a camisa. É o meu sonho. As coisas estão acontecendo como eu esperava, felizmente.

AE – O São Paulo ainda procura seu substituto. Sente saudades?

Lucas – É difícil me desligar. Acompanho sempre, mesmo quando os jogos são tarde. Vejo pela internet, converso com meus amigos. Acho que o time fez uma grande temporada apesar de ter ficado atrás do Cruzeiro no Brasileiro, mas o São Paulo está muito forte para esta temporada e tem tudo para chegar.