Na véspera do jogo mais difícil do Brasil até agora nesta Copa do Mundo, Luiz Felipe Scolari tentou deixar de lado a emoção e minimizou nesta segunda-feira o abalo causado no grupo pela ausência de Neymar. Mesmo assim, o técnico da seleção brasileira garantiu que o atacante servirá de motivação extra para o time buscar a vitória sobre a Alemanha e a consequente vaga na grande decisão do Mundial.

“A motivação adicional que temos é a passagem de uma etapa, a cada jogo. Naturalmente, o Neymar, ao nos deixar, deixou muito dele conosco. E levou muito de nós com ele. Mas já terminamos esta fase de envolvimento, de ficarmos tristes e tudo o mais”, declarou o técnico, no Mineirão, palco da partida desta terça, em Belo Horizonte.

Para Felipão, Neymar já deu sua contribuição na campanha do time na Copa, dentro de campo, ao marcar quatro gols, e fora dele, com sua alegria. “O Neymar já fez a parte dele. Agora é a nossa parte que temos que fazer, a minha, a dos jogadores e de todo o povo brasileiro. Vamos estar jogando por nós, pelo País. Vamos jogar um pouco de cada um de nós pelo Neymar, por tudo o que ele fez”, destacou.

Bem-humorado, o técnico garantiu que o clima dentro da seleção está positivo, apesar do corte do atacante, com uma fratura na terceira vértebra lombar. “Nós já convivemos há um ano e meio. Eles me conhecem e eu os conheço também e isso ajuda para que haja um bom entendimento em vários momentos”, disse.

Satisfeito com o bom ambiente, ele até revelou que flagrou David Luiz fazendo uma imitação sobre seu jeito de ser, na noite de segunda. “Quando fui conversar com eles depois do jantar, eu ouvi uma série de risadas e fiquei escondido. E pude ver o David me imitando, meu jeito de falar, de olhar e brinquei com eles. Isso mostra que eles me entendem, é só olhar para mim. Deixo transparecer minhas feições, não tem como enganar”, afirmou.

Felipão também demonstrou grande confiança em seu elenco, aos jornalistas e também aos próprios jogadores. “Ontem tive uma conversa com eles sobre o que é ser reserva da seleção. E ser reserva é ser especial para um momento especial, porque se pode fazer a diferença. É isso que estamos tentando passar aos nossos jogadores”.

Com seu lado motivador, o técnico espera suprir as ausências de Neymar e do capitão Thiago Silva, suspenso por ter levado o segundo cartão amarelo no jogo passado. “Vamos sentir falta da competitividade do Neymar, da forma como ele joga. Ele era referência, um dos melhores do mundo, mas temos uma equipe de 22 jogadores, que sabem que são especiais, que foram bem escolhidos. Temos condições de superar as dificuldades e passar, seguindo em frente”.