Uma Copa do Mundo sem Brasil e Argentina É assim que os organizadores da Eurocopa classificam o torneio que começa a ser disputado neste sábado (7), com dois jogos: Suíça x República Checa e Portugal x Turquia. Distribuídas entre cidades da Suíça e da Áustria, 16 seleções européias se enfrentam na busca pelo título continental. Entre os favoritos estão as quatro semifinalistas do Mundial da Alemanha, em 2006: Itália, Portugal, França e Alemanha.
Dentro de campo, faltam jogadores como o brasileiro Kaká e o argentino Messi. Mas, em termos de turistas e lucros, a Eurocopa praticamente se equipara à Copa do Mundo. Programada para o dia 29 de junho, em Viena, a final do torneio já está com todos os ingressos esgotados há meses. É possível, no entanto, comprar uma entrada de cambista por cerca de US$ 6 mil.
Com cidades meticulosamente preparadas e sem espaço para surpresas, os suíços e austríacos insistem que vão sediar uma competição de melhor qualidade técnica que o próprio Mundial de 2006. "Teremos um torneio melhor que a Copa do Mundo", afirmou Martin Kallen, organizador suíço. Segundo ele, os dois países receberão entre 1,5 milhão e 2 milhões de torcedores durante o evento – a Alemanha, bem maior do que a Suíça e a Áustria juntos, recebeu 2 milhões de turistas na última Copa.
Algumas das maiores estrelas do futebol mundial estarão em campo na Eurocopa, como é o caso do alemão Ballack, do português Cristiano Ronaldo, do italiano Pirlo, do francês Henry e do holandês Van Nistelrooy. "Tivemos de nos preparar como se fosse uma Copa do Mundo sem o Brasil e Argentina, por motivos óbvios", afirmou um dos organizadores da Uefa – outra grande ausência é a Inglaterra, que não se classificou.
A verdade é que a tabela de jogos pode permitir que os semifinalistas de 2006 na Alemanha também sejam os quatro melhores da Eurocopa em 2008. Mas o tira-teima entre a França e Itália, que fizeram a final da última Copa, já ocorre logo na primeira etapa da competição continental – as duas seleções caíram no mesmo grupo.
AS GRANDES FORÇAS
Agora, os italianos querem provar que a conquista do título mundial em 2006 não foi por acaso. Mas não vão poder contar com o seu capitão, o zagueiro Fábio Cannavaro, que sofreu uma contusão no começo da semana. Assim, a esperança da Itália está na experiência de seus jogadores, agora sob o comando do técnico Roberto Donadoni, e na ótima fase do atacante Luca Toni.
Já a França, em sua primeira grande competição desde a aposentadoria de Zinedine Zidane, aposta em outro maestro: Frank Ribéry, o astro do Bayern de Munique. Ao seu lado, jogadores experientes como Thuram e Henry, além do comando do técnico Raymond Domenech, remanescente do Mundial da Alemanha, quando os franceses perderam o título na final com a Itália.
Mas nem os franceses nem italianos pode afirmar com certeza que vão passar para a fase seguinte da Eurocopa. No mesmo grupo deles, em que avançam apenas os dois primeiros colocados, estão Holanda e Romênia, duas fortes seleções. O temor de uma surpresa na chave é tão forte que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, não irão aos jogos de seus países.
A Holanda chega com alguns destaques, como Van Nistelrooy, Robben e o goleiro Van der Sar, mas não ganha um título há 20 anos. O técnico da seleção é Van Basten, que sonha repetir a façanha de 1988, quando foi um dos principais jogadores no grupo que foi campeão da Eurocopa. E, sem a pressão de serem favoritos, os holandeses podem surpreender.
Para Portugal, o caminho também não será fácil na primeira fase, quando enfrenta a República Checa, Suíça e Turquia. Contando com o melhor jogador da atualidade – Cristiano Ronaldo -, os portugueses apostam no título para apagar a frustração da derrota na final da edição passada, em 2004, quando jogaram em casa e perderam para a Grécia.
Os portugueses se preparam ainda para a despedida do técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari, que deixa o cargo depois da Eurocopa – é cobiçado por diversos clubes do mundo, principalmente o milionário Chelsea, da Inglaterra. Na primeira fase, o grupo de Portugal inspira cuidados, mas não deve tirar a classificação lusa – estão na chave a Suíça, República Checa e Turquia.
Já os espanhóis esperam, por fim, superar as frustrações de décadas de derrotas nas competições internacionais. A última conquista foi a Eurocopa disputada em casa, há 44 anos. Com uma das equipes mais jovens do torneio, a Espanha conta com Fernando Torres, Casillas e Fabregas para reverter sua imagem de boas campanhas, mas repetidas derrotas.
Para passar para a segunda rodada, porém, os espanhóis sabem que terão de se superar. O grupo é composto também pelos russos, que estão decididos a mostrar seus novos jogadores, a maioria do Zenit, atual campeão da Copa da Uefa. Mas arma secreta da Rússia está no banco: o técnico holandês Guus Hiddink, que espera repetir o que fez com a surpreendente Coréia do Sul na Copa de 2002, quando chegou ao quarto lugar. Além disso, a chave tem Suécia e Grécia.
Quem tem o caminho relativamente mais tranqüilo é a Alemanha. Com o mesmo grupo de jogadores que entusiasmou os alemães na Copa de 2006, a seleção está agora sob o comando do técnico Joaquim Low, que era auxiliar de Klinsmann. E está na mesma chave de Croácia, Áustria e Polônia, forças menores da competição.
ANFITRIÕES
Presentes na Eurocopa apenas por serem sede – têm classificação automática -, Suíça e Áustria devem faze papel de figurante na competição. Para os organizadores, no entanto, a performance das seleções parece ser irrelevante, já que a aposta é utilizar o evento para promover os dois países.
Pela primeira vez, os lucros da Eurocopa irão superar a marca de 1 bilhão de euros. Será tanto dinheiro que até mesmo os clubes dos atletas vão receber por terem cedido seus craques às seleções – cada um vai ganhar quatro mil euros por dia por jogador que estiver na disputa do torneio.
Os países participantes também vão lucrar bastante, com a milionária premiação que será distribuída. Só a presença na primeira fase do torneio já vale R$ 18,75 milhões. Cada vitória dá R$ 2,5 milhões (o empate paga metade), a passagem para as quartas-de-final garante R$ 5 milhões, enquanto a vaga nas semifinais rende mais R$ 7,5 milhões. O campeão fatura R$ 18,75 milhões e o vice, R$ 11,25 milhões.
A alta tecnologia também estará presente na Eurocopa: em uma nova bola, nos uniformes e nos campos de jogo. Os estádios serão menores que os da Copa do Mundo da Alemanha – alguns com capacidade para apenas 35 mil pessoas -, mas não decepcionarão no que se refere à qualidade. Em Berna, por exemplo, o estádio é abastecido com energia solar.
VIGILÂNCIA
Uefa também não descuidou da arbitragem, pois não quer que o evento repita os constantes erros das últimas edições da Copa do Mundo. A ordem aos árbitros é para punir com rigor. A Eurocopa ainda marcará uma nova fase nos testes de doping: pela primeira vez, se fará teste sanguíneo, com o objetivo de procurar hormônios de crescimento.
O eterno temor de um atentado terrorista também ronda a Eurocopa Mais de 30 mil policiais e militares de vários países da região farão a segurança do evento, sendo que vôos sobre os estádios estarão proibidos nos horários dos jogos.


