São Paulo – O melhor fundista do Brasil na atualidade, Marilson Gomes dos Santos, vencedor da Maratona de Nova York, recebeu uma proposta de cachê de US$ 10 mil para correr na São Silvestre de Luanda, Angola. Não aceitou. Se não fosse a lesão na sola do pé, correria a São Silvestre de São Paulo, domingo.
Não pelo cachê, que não existe na prova nacional, mas pelos patrocinadores, clube e a visibilidade. A mais esvaziada edição em muitos anos, a 82.ª prova de São Silvestre será dos corredores B, jovens desconhecidos do grande público.
?O Marilson é o último campeão de São Paulo, vencedor em Nova York e os organizadores nem abrem negociação com ele. Desde que a Yescom assumiu as provas da Globo (a corrida também é realização da Gazeta Esportiva), a elite perdeu espaço e prestígio?, avalia Ricardo D?Angelo, técnico de Vanderlei Cordeiro de Lima, medalhista de bronze olímpico, que está em Paipa, na Colômbia, se preparando para a Maratona de Tóquio, em fevereiro.
D?Angelo terá dois fundistas de nível B na São Silvestre, Elson Gracioli, que também treinou em Paipa, 3.º na Maratona de São Paulo, e Fábio de Oliveira Chagas, vice-campeão brasileiro de cross-country (4km). Mas aposta no mineiro Franck Caldeira, contra os jovens quenianos que treinam em Nova Santa Bárbara (PR): Mathew Cheboi, de 24 anos, Kosgei Kiplimo, 21, e Cosmers Kemboi, 19.
?Se o Franck fizer a estratégia certa, é barbada. Tem vencido os quenianos no Brasil?, aposta D?Angelo. Franck, de 23 anos, treinado por Henrique Vianna, se preparou na altitude de Campos do Jordão. O seu melhor resultado técnico é 2h14min06, da Maratona de Milão este ano, em que foi o quarto.
Para Moacir Marconi, o Coquinho, que treina os quenianos no Brasil, Kiplimo é o favorito. Foi segundo na Volta da Pampulha, vencida por Franck. Também foi vice na São Paulo Classic, ganha por Cheboi, com Franck em terceiro. Coquinho explica que no Quênia não há tantas provas como no Brasil. ?Aqui, podem treinar e correr, ganhando premiação nas provas. Na Europa, não têm condições ainda de figurar entre os primeiros?.
Cruzeiro quer pódios no domingo
Belo Horizonte – O futebol saiu temporariamente de cena para o Cruzeiro e as atenções no clube estão voltadas para a 82.ª Corrida de São Silvestre, tradicional prova do Atletismo brasileiro, realizada no dia 31 de dezembro, em São Paulo. A equipe celeste, que contará com 12 atletas, sonha em conquistar ao menos um pódio na capital paulista. ?A São Silvestre é um prova muito atípica e imprevisível. Sabemos que vencer é muito difícil e vamos tentar buscar um pódio?, disse o técnico Alexandre Minardi.
O Cruzeiro será representado por 11 atletas na prova masculina e uma, na feminina. Entre os homens, os destaques são Luís Paulo da Silva Antunes, Luís dos Santos Filho, o Pinóquio, Paulo Alves dos Santos, José do Nascimento Souza e João Ferreira de Lima, o João da Bota, que se recupera de uma contusão no tornozelo direito. Os principais rivais do ?time azul? são o queniano Matheus Cheboi e o mineiro Franck Caldeira, vencedor das recentes Volta da Pampulha, em Belo Horizonte, e Corrida Pan-Americana, no Rio de Janeiro.
No feminino, Edielza Guimarães terá como maiores adversárias Lucélia Peres, tricampeã da Volta da Pampulha; Márcia Narloch, duas vezes terceira colocada na São Silvestre, e Sirlene Pinho, bicampeã da Gonzaguinha.


