Das praias com paisagens de cartão-postal do Nordeste para a Estrada do Ganchinho, no bairro Umbará, distante 20 quilômetros do centro de Curitiba. Essa é a principal mudança da Espanha que disputou a Copa das Confederações no ano passado para a que desembarca na noite deste domingo no Brasil para se hospedar no CT do Caju, do Atlético-PR.

Os jogadores que defenderão o título da Copa do Mundo são praticamente os mesmos que disputaram a Copa das Confederações – o brasileiro naturalizado espanhol Diego Costa é a principal novidade. Mas o ambiente da concentração dos espanhóis é bem diferente. Depois de ver os seus jogadores envolvidos em confusão no Recife e em Fortaleza, no ano passado, com acusação de que os atletas promoveram festas em seus quartos com bebidas e prostitutas, a Real Federação Espanhola de Futebol optou agora por um clima de retiro. Se na Copa das Confederações era comum os atletas saírem do hotel para caminhar na beira-mar, na periferia de Curitiba o cenário é formado por muito mato, residências humildes, um mercadinho, um boteco e a BR-367.

“Aqui não tem nada para fazer, é um lugar bem tranquilo. Só fica mais agitado quando a imprensa vem atrás de alguém famoso”, diz o pedreiro José da Silva, vizinho do CT.

Os “famosos” da vez são Casillas, Piqué, Iniesta, Xavi, Fernando Torres… Em 2010, antes da Copa, eram Kaká, Robinho e Luís Fabiano, os líderes da seleção brasileira que ficou hospedada no local uma semana antes de partir para a África do Sul.

Assim como aquele time de Dunga, agora os comandados do técnico Vicente Del Bosque ficarão isolados no CT do Caju e só sairão do local para as partidas. Na primeira fase, a Espanha enfrenta a Holanda em Salvador (dia 13), o Chile no Rio (no dia 18) e a Austrália em Curitiba (dia 23).

Para proteger e dar privacidade aos espanhóis, foi montado um esquema especial de segurança, com policiamento ostensivo no perímetro do CT. Neste domingo, antes mesmo do desembarque da delegação, viaturas já estavam posicionadas na entrada do local.

Para atender a seleção da Espanha, o Atlético-PR fez algumas alterações na estrutura do CT. Foi criado um centro de imprensa que deverá receber até 500 jornalistas nos dias de treinos. As instalações foram decoradas com imagens dos jogadores e os quartos duplos passaram a ser individuais. No restaurante, as mesas foram unificadas para que todos façam as refeições juntos. O campo principal, próximo à entrada, foi reformado nas últimas semanas para nivelar o gramado. Cerca de 50 funcionários dos setores de manutenção, lavanderia, limpeza, tecnologia da informação, segurança, recepção e cozinha passaram por treinamento e tiveram uma palestra com o cônsul honorário da Espanha em Curitiba, Saturnino Hernando Gordo.

As despesas na preparação do local para receber a seleção da Espanha e o preço do aluguel do espaço não foram revelados pelo Atlético-PR, mas, segundo o presidente Mário Celso Petraglia, o ganho com a valorização da imagem do clube vale o investimento. “Como ficamos fora do eixo São Paulo, Rio e Minas, muitas vezes as pessoas não se lembram da gente e não imaginam que temos essa estrutura. Agora, o mundo inteiro vai falar do Atlético”, disse o dirigente à reportagem.

Inaugurado em 1999, o CT do Caju ocupa uma área de 220mil m². Possui oito campos oficiais, dois hotéis com capacidade para receber até 180 hóspedes, dois restaurantes que servem 800 refeições por dia, duas piscinas, sala de musculação e centro médico.