Em casa e com equipe talentosa liderada por Neymar, o Brasil é apontado como principal favorito ao ouro no torneio masculino de futebol da Olimpíada. A conquista da inédita medalha dourada, aliás, tornou-se uma obsessão para os brasileiros. No entanto, há alguns rivais fortes na briga, mesmo com problemas como tempo curto de preparação e desfalques por conta da negativa dos clubes em liberar jogadores. Argentina, Colômbia, Portugal, Alemanha, Nigéria e o atual campeão, o México, não podem ser desconsiderados.

Dos adversários do Brasil no Grupo A do torneio, justamente o da estreia, a África do Sul, é considerado o mais complicado. Isso porque os sul-africanos estão treinando já há algum tempo – algo raro – e têm uma equipe definida e bem entrosada. “É um time forte fisicamente, equilibrado e tem postura tática defensiva muito boa”, analisa o técnico da seleção brasileira, Rogério Micale.

Os outros aparentemente ficarão felizes se passarem da primeira fase: o Iraque é bastante limitado e a Dinamarca amarga vários desfalques, o que enfraqueceu bastante o time que foi bem na preparação, inclusive goleando por 6 a 2 a Nigéria, tida como favorita a disputar medalha.

Os nigerianos estão no Grupo B, que deve ter uma briga acirrada pelas duas vagas nas quartas de final. Não poderão contar com atletas importantes como Iwobi e Iheanacho, mas mantêm uma base há cerca de um ano e vêm de bons resultados, entre eles, a vitória recente sobre o Brasil.

A Colômbia também tem várias ausências, inclusive por contusão (o zagueiro palmeirense Mina), mas o técnico Carlos Restrepo conseguiu montar um grupo considerado forte, no qual se destacam Téo Gutierrez, Pabón (ex-São Paulo) e Miguel Borja. “Tivemos alguns contratempos, mas, ainda assim, creio que minha equipe é competitiva”, disse.

A Suécia se ressente menos de Ibrahimovic – estava na lista dos 35 pré-convocados, mas se recusou a jogar a Olimpíada – e mais dos vários ausentes que integraram a equipe campeã sub-21 da Europa, mas cujos clubes não permitiram que viessem ao Rio. O Japão completa a chave, na condição de azarão.

O entrosamento de uma equipe que está junta desde o sub-17 é a arma da Alemanha, que está no Grupo C. A seleção perdeu jogadores de destaque, pois os clubes do país fecharam questão na não liberação daqueles que são importantes para os seus elencos profissionais, e tentará compensar com um sistema de jogo bem definido e objetivo. “Eles têm um conjunto muito forte”, afirma Micale.

MEDALHISTAS – Atual campeão olímpico, o México aposta na mescla da nova geração com jogadores experientes, como o goleiro Talavera e o atacante Oribe Peralta, autor dos gols que derrotaram a seleção brasileira na decisão do ouro em Londres.

Na chave, as seleções de Fiji e Coreia do Sul deverão apenas cumprir tabela. Argentina e Portugal são tidas como favoritas não só às vagas do Grupo D, como a conquistar uma medalha nos Jogos do Rio.

Os argentinos tiveram dias conturbados, com problemas na federação, ameaça de não participar da Olimpíada e até troca de técnico em cima da hora, a exemplo do Brasil – Gerardo Martino renunciou e Julio Olarticoechea assumiu às pressas.

Ainda assim, o novo treinador acredita que, com jogadores como Calleri, Lanzini e Giovanni Simeone, será possível superar as dificuldades. “Não conseguimos treinar como queríamos, mas o importante é que sinto que todos os jogadores estão se doando. Isso nos dá confiança”, disse Olarticoechea após o empate sem gols em amistoso com a Colômbia – depois, a equipe argentina continuou sem marcar num jogo com os mexicanos que também terminou 0 a 0.

Portugal não terá vários jogadores da nova geração, entre eles quatro campeões recentes da Eurocopa, pois não foram liberados pelos clubes (mais informações abaixo). Ainda assim, o técnico Rui Jorge acredita ser possível ir longe. Pretensão que Honduras e Argélia, a rigor, não têm.