O novo presidente da CBF, Marco Polo del Nero, reiterou nesta quinta-feira que a luta para mudar pontos da Medida Provisória que permite o refinanciamento da dívida fiscal dos clubes vai ser ampliada a partir de agora. A comissão do Congresso que irá apreciar o texto da MP e pode propor emendas ainda não foi instalada, mas a CBF já trabalha para fazer valer o interesse da entidade e dos clubes.

“Reunimos os departamentos jurídicos dos clubes. Em conjunto com o da CBF, com os nossos diretores Rogério Caboclo e Walter Feldman, foram apresentados os problemas que havia na MP. Todos concordaram que é preciso fazer ajustes. Todos querem a contrapartida, mas tem que respeitar o direito sagrado da Constituição, a carta magna”, declarou Del Nero, durante coletiva de imprensa, a sua primeira como presidente empossado. “Chegamos à unanimidade de que há necessidade de reparos para que a MP não fira a Constituição Federal.”

O dirigente não fez ponderações sobre quais pontos da MP precisam ser alterados, e evitou dar uma resposta direta quando questionado se era a favor ou contra a limitação dos mandatos de dirigentes – a MP 671 estabelece mandatos máximos de quatro anos, com no máximo uma reeleição. “Não sei, temos que discutir. O tema foi discutido na Fifa e não foi decidido isso lá”, desconversou.

Segundo Del Nero, seu jeito de administrar é ouvindo, não impondo. “Quem sou eu para decidir? Não sou Deus nem tenho vontade de ser professor. Nós temos que ouvir”, insistiu. “Eu quero administrar ouvindo, conversando, discutido abertamente. É muito mais fácil administrar quando se ouve.”

O novo presidente elogiou o trabalho de seu antecessor, José Maria Marin, mas disse que é preciso avançar. “Nós não podemos ficar parados com as glórias da administração do presidente Marin. Nós precisamos caminhar, e muito.”

Sobre a seleção brasileira, o dirigente elogiou o trabalho do técnico Dunga, da principal, e de Alexandre Gallo, que comanda o time olímpico. “Há a necessidade da análise do que acontece no mundo. Nós temos mais para ensinar do que para aprender”, considerou. “O Gallo vem fazendo um trabalho brilhante, e começou quando foi buscar no mundo esses jogadores de 20 anos (que vêm sendo convocados)”.

Como já declarou em outras oportunidades, o novo presidente da CBF se mostrou contrário à mudança de sistema de disputa no Campeonato Brasileiro. “Minha opinião: temos um Campeonato Brasileiro de pontos corridos que anda muita bem e é bem democrático. Talvez com menos emoções que o mata-mata, mas tem emoções até o final do campeonato. No mata-mata é no dia a dia.”