O novo presidente da CBF, Marco Polo del Nero, tomou posse nesta quinta-feira e já conta com pelo menos um consenso entre os clubes e federações do País: a Medida Provisória (MP) 671, que trata do refinanciamento das dívidas, precisa ser alterada. O dirigente defendeu mudanças no texto que, nos termos atuais, não receberá adesão dos clubes.

O assunto foi tema do discurso de posse de Del Nero no fim da manhã, em cerimônia que reuniu dirigentes de clubes e federações na sede da CBF, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A imprensa não teve acesso à cerimônia, restrita a cartolas do futebol brasileiro.

“O presidente Marco Polo deu bastante ênfase à MP 671”, afirmou o vice-presidente de futebol do Botafogo, Antônio Carlos Mantuano, após a cerimônia. “Temos que rever a parte financeira dos clubes”, insistiu o dirigente, lembrando que “o Botafogo hoje está passando por um momento extremamente difícil, complicado.”

“Ele (Del Nero) tratou de forma específica a MP e do trabalho que ele vem desenvolvendo com todos para corrigir os defeitos que a MP tem hoje para que possa ser aprovada uma medida realmente adequada”, ressaltou Peter Siemsen, presidente do Fluminense.

Para Paulo Nobre, o refinanciamento das dívidas deve ser uma das prioridades. “Muitos clubes estão com situação caótica nesse ponto, e outro nem têm esse problema. Agora, acho que nós temos que pensar não só no nosso clube, mas nos outros também. Não é porque o Palmeiras não tem esse problema como premente hoje que a gente vai abandonar outros clubes que estão com um problema muito sério”, declarou o presidente do clube alviverde.

“Quando um clube grande está com um problema, o futebol como um todo está com um problema. A única coisa que a gente precisa cobrar é muita responsabilidade dos dirigentes para que essa situação, caso seja arrumada agora, não venha a se repetir daqui a dez anos”, avaliou o mandatário do Palmeiras.

Nobre, porém, foi categórico ao dizer que o clube não assinaria o refinanciamento com o governo federal nos termos atuais da MP 671. “Ela teria ingerência na autonomia dos clubes, o que não é uma coisa positiva. A MP era uma coisa muito boa quando ela tratava de um assunto específico, mas colocaram um monte de coisa no meio para passar num pacotão.”

INTERFERÊNCIA – Segundo Peter Siemsen, os clubes estão chegando a um acordo. “No conceito estão todos abraçados. A questão é que alguns clubes estão estudando questões mais pontuais, outros talvez nem tanto. O empenho de cada um nas mudanças e na aprovação é claro que varia, mas no conceito em geral todos estão mais ou menos alinhados.”

O presidente do Bahia, Marcelo Santana, disse que seu clube reconhece pontos positivos na MP, mas fez ressalvas. “À maior parte (da MP) o Bahia é favorável. Agora, ser favorável com a maior parte não significa concordar com 100%. Dou um exemplo prático: eu sou contra ter apenas um banco para você concentrar toda a sua movimentação financeira. Quantos cidadãos brasileiros e contribuintes têm conta em apenas um banco? Por que os clubes têm que ter?”, indagou.

O dirigente baiano também apontou para excesso de “interferência estatal” no texto da MP. “Concordo quando o governo diz que tem que ter apenas um mandato com uma reeleição. O Bahia pratica isso. A MP sugere quatro anos, o Bahia tem três. Estamos mais avançados do que o governo propõe. Mas eu não sei se é papel do governo interferir nessa atividade. Acredito que você tem uma interferência estatal de maneira exagerada.”