A primeira das 17 batalhas do Mundial de Fórmula 1 2007 será travada na noite de hoje, em Melbourne. E quando começar o GP da Austrália, à meia-noite de Brasília, a Ferrari dará início à busca de seu novo primeiro piloto.

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Apesar do discurso que promete igualdade à dupla formada por Felipe Massa e Kimi Raikkonen, são poucos os que acreditam numa atitude ?comunista? do time de Maranello, que de 1996 até o ano passado foi muito claro em seu método de trabalho: evitar, a todo custo, uma disputa fratricida que, na história da categoria, foi desastrosa para algumas equipes, como a Williams e a McLaren, nos anos 80.

Ter dois pilotos de ponta dividindo o mesmo teto pode parecer tentador, mas, na prática, é como cutucar um vespeiro. A Williams teve muitos problemas com Piquet e Mansell em 1986 e 1987, perdendo um título por conta do mau relacionamento entre os dois.

A McLaren, que teve Prost e Senna em 1988 e 1989, só não lamentou a escolha porque, afinal, ganhou os dois campeonatos. Mas viveu duas temporadas infernais, envolta em crises e polêmicas que resultaram muito mais em inimizades do que em rivalidade esportiva. O time incorreu em erro semelhante com Montoya e Raikkonen, recentemente. A Williams também, com o mesmo Montoya e Ralf Schumacher. Resultado: pilotos que não se falavam, trabalho de equipe prejudicado, poucas conquistas.

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Raikkonen foi contratado na surdina, no início do ano passado, para suceder Schumacher, que já dava sinais de que iria se aposentar. Em tese, seria uma transição pacífica. Afinal, o outro piloto seria Felipe Massa, um garoto rápido, sim, mas que não apresentava nenhuma tendência de se tornar estrela em curto prazo.

Mas se tornou. Ao vencer duas corridas em 2006 e fazer uma pré-temporada impecável, Felipe ganhou espaço na equipe e tratamento de ?superstar? pela mídia especializada. Sua evolução como piloto atrapalhou os planos ferraristas de manter a política de ter em seus carros um grande astro e um bom ator coadjuvante – papel exercido, por exemplo, por Irvine e Barrichello entre 1996 e 2005.

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Diante disso, é voz corrente na equipe que não há, mesmo, um primeiro piloto definido para 2007. Tudo vai depender das primeiras corridas do ano. Por isso, o duelo entre Massa e Raikkonen, na madrugada de domingo, é a grande atração de Albert Park. Eles podem até ser batidos por Fernando Alonso, que corre por fora pela vitória em Melbourne. Mas, durante as 56 voltas da prova, Felipe e Kimi terão um único objetivo: bater o companheiro para cair nas graças da equipe. Uma guerra de nervos que ainda não tem data para terminar.

12º time negocia com a Mercedes

A nova equipe da F-1, cuja estréia está prevista para o ano que vem, deverá usar motores Mercedes e trabalhar em estreita colaboração com a McLaren.

A Prodrive, que no ano retrasado ganhou uma espécie de concorrência promovida pela FIA para ocupar a 12.ª vaga no campeonato, se prepara para ser um time-satélite da organização de Ron Dennis.

O time pertence ao inglês David Richards, que tem vasta história no automobilismo. Na F-1, já foi diretor da Benetton e da BAR. Mas começou no mundo do esporte a motor na década de 70, como co-piloto em ralis. Em 1984, fundou a Prodrive para preparar carros da Subaru no Mundial de Rali.

Recentemente, Richards liderou um consórcio que comprou, da Ford, a marca Aston Martin. Mas ele negou que pretenda usar a grife dos carros de James Bond em sua equipe de F-1. ?São negócios diferentes?, garantiu.

Das seis marcas de motores presentes hoje na F-1, quatro já aparecem roncando em mais de uma equipe. Apenas Mercedes e BMW não têm parceiros. A Ferrari fornece para Spyker e Toro Rosso, a Renault vende seus motores para a Red Bull, a Toyota equipa a Williams e a Honda sustenta a Super Aguri.

No Caju, a torcida é por Massa

Cahuê Miranda

A expectativa em torno de uma boa temporada de Felipe Massa está reconquistando alguns antigos fãs do circo da Fórmula 1. No elenco do Atlético, jogadores avisam que este ano vão torcer, além das cores rubro-negras, para o vermelho da escuderia italiana da Ferrari.

?Ultimamente estava desmotivado, porque não via nenhum brasileiro chegando. Agora que o Massa está mostrando que tem condições, vou voltar a assistir e torcer?, revela o zagueiro Marcão, não botando muita fé no outro piloto brasileiro da F-1, Rubens Barrichello, da equipe Honda.

Quem também está retomando o interesse pela principal categoria do automobilismo é o goleiro Cléber. ?Na época do Ayrton Senna, não perdia uma corrida. Mas, nos últimos anos acompanhei pouco, porque há muito tempo não tinha nenhum brasileiro entre os favoritos. Agora, vou torcer para que o Felipe Massa consiga novas vitórias para o Brasil?, ressalta.

E a cobrança dos jogadores sobre Massa não deixa para trás a pressão que sofrem da torcida do Furacão. ?Ele está numa grande equipe e tem que mostrar qualidade. Espero que conquiste o título?, conclui Marcão.

Mas, se depender dos modelos dos carros que circulam pelo CT do Caju, a Ferrari de Massa terá que dividir espaços com BMWs e Renaults.