Sem clube há mais de um ano, a ginasta Daiane dos Santos foi sondada para defender o Corinthians, seu time do coração, no final do ano passado. Mas desanimou ao descobrir que o ?time não tem estrutura e um projeto concreto para ginástica?. Ela ainda não conversou com dirigentes do Timão porque depois da final da Copa do Mundo, em São Paulo, na qual conquistou o bi no solo, saiu de férias. A cinco meses do Pan-Americano, ela diz não ter pressa para escolher um clube, já que este ano ela considera um dos mais difíceis de sua carreira. Além do Pan, em julho, ela tem o Pré-Olímpico, em setembro, além de etapas da Copa do Mundo. Em entrevista, Daiane falou sobre os problemas em fechar com o Corinthians e seus planos para 2007.

Paraná-Online – Já decidiu se irá para o Corinthians?
Daiane dos Santos – Não, ainda não. Não conversei com ninguém do clube. Soube que o presidente queria falar comigo. Mas depois da final da Copa do Mundo, saí de férias e não conversei com ninguém.

Paraná-Online – O que achou da idéia?
Daiane – No início, claro que me agradou. Mas acho que o clube tem de investir. Não adianta eu dizer que vou para o Corinthians, se o clube não tem um projeto concreto para ginástica. Vou fazer o que ali? Só porque sou corintiana? Levar o nome do clube para as competições? Para isso acontecer, defender o clube, alguma coisa vai ter de ter. Montar uma escolinha, uma equipe de base, incentivar outras crianças na iniciação do esporte…

Paraná-Online – Tem outro empecilho?
Daiane – Sim, imagina um clube que não tem estrutura…
E quando tiver de competir um Brasileiro, por exemplo. Vou treinar onde? Quando competia pelo Grêmio Náutico União (seu último clube), saia da concentração da equipe permanente em Curitiba, e ficava uma semana treinando no clube, em Porto Alegre, para os campeonatos estadual e brasileiro.

Paraná-Online – Há outra proposta?
Daiane – Tenho, do Minas Tênis Clube. Mas também fica difícil sair de Curitiba e ir treinar e competir lá em Belo Horizonte. O ponto positivo é que o Minas já tem ginástica há muito tempo. Essa é a diferença entre os clubes.

Paraná-Online – Mas tem algum prazo para sua decisão?
Daiane – Estou tranqüila com essa coisa de achar um clube. Já estou há mais de um ano sem. As pessoas que estão envolvidas com a ginástica estão mais preocupadas do que eu.

Paraná-Online – Como está a equipe para os Jogos Pan-Americanos?
Daiane – O clima está bom. As meninas estão bem motivadas este ano – duas meninas subiram para equipe adulta, Jade Barbosa e Thamires Araújo -, tem Pan-Americano, mundial, etapas da Copa do Mundo. São 10 meninas disputando 6 vagas. Entra quem estiver bem na hora.

Paraná-Online – E sua expectativa para a competição em casa?
Daiane – Não estou ansiosa ainda, com aquela coisa, ?nossa o Pan?. Talvez seja porque tenho pela frente um ano bem puxado, com muita competição importante. Um ano mais difícil que ano de Olimpíadas, porque são competições muito próximas. Acabando o Pan, já tem o Mundial na Alemanha, que definirá vaga para Pequim-2008, em setembro.

Paraná-Online – Você esteve em Winnipeg-99 e Santo Domingo-03. Qual sua melhor lembrança de Pans?
Daiane
– Quando cheguei em Winnipeg tudo para mim era novo, eu só tinha 16 anos. Trouxe três medalhas (prata no salto, bronze no solo e bronze por equipes). A equipe era toda nova. Já em Santo Domingo a equipe era mesclada e ainda meio crua. O Pan foi muito importante porque acabou servindo de preparação para o Mundial de Anaheim. Foi lá que houve o ?boom? da ginástica – fui ouro no solo (inédito para o Brasil) e conseguimos vaga para  Olimpíadas de Atenas.

Paraná-Online – Quem será a pedra no sapato no Pan?
Daiane – Vamos brigar direto com os Estados Unidos. O Brasil terá uma equipe muito melhor que teve no Pré-Pan. Não dá para dizer se o Brasil ganhará o ouro ou os Estados Unidos.

Paraná-Online – O brasileiro tem acompanhado mais a ginástica?
Daiane – Certamente. E fico muito feliz por isso. É legal, por exemplo, ver o pessoal do vôlei comprando ingresso para ir lá ver a gente É muito bom saber que as pessoas se interessam, têm curiosidade de saber nome de elemento, código de pontuação, enfim entender um pouco mais do nosso esporte.