Orlando Kissner
Hoje os dois lados devem se pronunciar sobre o caso.
Tico tenta cassar a liminar obtida por Giovani no sábado.

Na capa da Tribuna de sábado, o hino do Coritiba ganhava uma paródia bem adequada para o momento do clube – ?Lá no alto de tantas confusões?, dizia a manchete. E até a música de Cláudio Ribeiro e Homero Réboli, escolhida como hino alviverde há alguns anos, acaba sofrendo com a pior crise política da história coxa. O time que, segundo a canção, é ?palco de artistas, jogadores de um passado sem igual? virou campo para advogados, recursos, liminares e uma disputa férrea pelo poder, que completa hoje duas semanas.

A confusão começou no dia 5 deste mês, quando da eleição. Os nove ?cardeais? do Cori, os membros da Diretoria Executiva, foram para o pleito contestados pela oposição, que apoiada no estatuto do clube queria que eles não votassem – e que, se votassem, fossem impugnados. A defesa dos correligionários de Giovani Gionédis confiava no direito de votar e ser votado e que não era necessária a licença deles para participar do processo. Eles votaram e o atual presidente venceu por apenas um voto (67×66).

Após a divulgação da ata da eleição, o grupo ligado a José Antônio Fontoura partiu para o recurso na alçada do clube – ou seja, o Conselho de Administração. Eles se baseavam no artigo 133 do Estatuto do Coritiba e buscavam a aceitação de um dos três pedidos: a impugnação dos nove votos, a impugnação de cinco votos (dos atuais dirigentes que estavam na chapa de Gionédis) ou a anulação completa da eleição.

Na segunda (quando se completou uma semana do imbróglio), a situação apresentou sua defesa, que mantinha algumas das manifestações apresentadas no dia da eleição e uma novidade: um documento, assinado pelos nove membros da Diretoria Executiva, pedindo licença de 24 horas exatamente no período do pleito. Com esta licença, o clube não estaria sendo presidido por Gionédis no dia 5, e ficaria anulado o mérito da questão colocada pelos oposicionistas.

Depois de três dias de análises (e da contestação de Tico Fontoura), o presidente do Conselho de Administração, Júlio Militão da Silva, anunciou a decisão da mesa diretora: estavam impugnados os nove votos dos dirigentes e Tico Fontoura era o vencedor, por 66×58. Apenas um conselheiro, Dirceu Lamóglia, votou pela anulação de todo o processo. A posição dele converge com a de outros juristas, que viam na suspensão de toda a eleição a forma mais ?simples? de resolver a questão.

A decisão do clube (na sua última instância) foi questionada por Gionédis na Justiça, e na tarde de sábado o juiz Sigurd Roberto Bengtsson acatou as argumentações da diretoria e concedeu uma liminar suspendendo o ato de Militão e obrigando o ?conselhão? a aceitar o resultado das eleições – e dar posse a Gionédis no dia 5 de janeiro.

Hoje é um dia importantíssimo para o encaminhamento da pendenga no Coritiba. Os dois lados devem se pronunciar – o atual presidente não quis comentar o assunto, prometendo falar hoje. Tico Fontoura, que garantiu na sexta que não entraria na Justiça Comum, agora vai se posicionar se tentará cassar a liminar. Quanto aos jogadores e comissão técnica, nenhum lado fala neste momento. Como se o futebol do Cori tivesse ficado em segundo plano, justamente no ano em que caiu para a segunda divisão.