Duda teve um início complicado de temporada. Mudou seu local de treino de São José do Rio Preto para São Paulo e sofreu com lesões, na coxa e no calcâneo, que atrapalharam todo o trabalho se base. Mesmo assim, coroou um trabalho árduo com o bicampeonato mundial indoor de atletismo, neste sábado, ao vencer o salto em distância em Sopot, na Polônia, com um salto de 8,28m.

“Às vezes, nós atletas temos a mania de falar que não caiu a ficha. Eu não posso falar isso. Sou bicampeão mundial. Mas não tenho noção nenhuma do que seja isso. Estou rouco de tanto gritar”, festejou o brasileiro, neste sábado, falando ao SporTV, na zona mista do estádio indoor de Sopot.

Centrado, Duda lembrou das dificuldades na preparação para o Mundial e destacou que o bicampeonato é fruto de muito treinamento. “Tive problemas de lesão. Trabalhamos até em excesso, então as lesões vieram. Mas trabalhamos e não existe campeão sem muito treino e muita dedicação. Deus tem que estar na frente, mas o treino tem que ser muito forte senão a gente não chega a lugar nenhum.”

Na trajetória para o título, neste sábado, Duda realizou três bons saltos, todos na casa dos 8 metros, mas chegou em quinto lugar à sexta e última tentativa. Precisava de um salto perfeito para superar o chinês Jinzhe Li, que tinha 8,23m e liderava. O brasileiro voou alto e, assim que viu onde tinha chegado, comemorou efusivamente.

“Perfeito, perfeito. Subiu, né? O único que deu ontem (sexta) também subiu. Precisava disso mesmo, de um pouco mais de altura”, comentou Duda, assistindo ao replay do salto que lhe deu o ouro e relembrando aquele que o levou à final.

Assim como havia sido na conquista do primeiro título, em Istambul, este também veio apenas no último salto. Para Duda, porém, tudo vem com o tempo. Ele lembrou que só iniciou no esporte aos 17 anos. “O atletismo me descobriu, não fui que fui atras. Temos que ter muita calma. Sem calma vem lesão, vem erro. Eu treinei, eu igualei meu melhor”, disse.

Outro motivo para festa foi ter igualado o recorde sul-americano indoor, que já era de Duda, pelos 8,28m alcançados na fase de classificação do Mundial de dois anos atrás. “Acho que saio o cara mais feliz do mundo porque igualei o recorde nacional que já era meu. O atleta tem que ter muita frieza na hora. O treino tem que ser justificado na hora da prova. É como estudo. Tem que fazer na prova o que estudou”, comparou.