Documentos confidenciais da Agência Brasileira de Controle de Doping (ABCD), sob o comando do Ministério do Esporte, citam o ex-lateral Roberto Carlos e informações de que um total de sete jogadores da seleção brasileira teriam sido tratados com substâncias proibidas pelos códigos internacionais de doping.

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Os dados, coletados em 2015, fazem parte de mais de 250 páginas de informações que a ABCD repassou à promotoria de São Paulo. No dossiê, a agência colheu depoimentos de vários atletas que haviam sido pegos no controle de doping e que optaram por colaborar com as investigações. Todos citam o abastecimento de produtos proibidos por parte do médico Julio Cesar Alves e todos alegam que o profissional prestava serviços ao futebol.

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No sábado, a TV alemã ARD revelou como uma rede clandestina forneceria produtos proibidos para atletas e mesmo para a elite do futebol nacional. Um dos principais elos dessa rede seria o médico Julio Cesar Alves, de Piracicaba, cidade do interior paulista. Ao conversar com o grupo alemão sem saber que falava com jornalistas, ele revelou como seus produtos abasteciam jogadores, como o consagrado ex-lateral da seleção. “Eu tratei de Roberto Carlos. Ele chegou a mim com 15 anos”, disse. Procurado, o ex-jogador não deu uma resposta à emissora.

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Os documentos também obtidos pela reportagem do Estado confirmam as suspeitas reveladas no documentário e novos detalhes da dimensão do suposto envolvimento do futebol com este esquema de dopagem.

No dia 11 de dezembro de 2014, a atleta Eliane Pereira declarou à ABCD em Brasília o que sabia sobre o médico. Questionada se sabia de outros atletas que frequentavam o mesmo consultório, indicou positivamente que sim. Em sua declaração oficial e confidencial, ela disse que “viu Roberto Calos na clinica em julho de 2002, na altura jogador da seleção brasileira de futebol”. O Brasil havia sido pentacampeão mundial com o time nacional no dia 30 de junho, no Japão.

Numa outra declaração de 1 de junho de 2015 à ABCD, o atleta Elias Rodrigues Bastos disse que sabia como o médico também tratava de “muitos outros atletas de alto nível do atletismo, natação e futebol”. “O médico vangloriou-se de que trata de mais de duzentos atletas, sendo mais de um quinto deles olímpicos e de nível mundial”, disse Bastos, que também havia sido flagrado no controle de doping e optou por colaborar.

No dia seguinte, em 2 de junho de 2015, foi a vez de o atleta Silvano Lima Pinto também mencionar como o médico insistia que tratava de jogadores de futebol. Já o depoente Francisco Ivan da Silva Filho declarou à ABCD no dia 3 de junho de 2015 que o médico sob suspeita disse que tinha um total de 280 clientes. Desses, sete seriam “atletas de futebol que participaram de Copas do Mundo”.