Mais importante ainda que a primeira dobradinha da Ferrari este ano, neste domingo, no GP da França, com Kimi Raikkonen em primeiro e Felipe Massa em segundo, foi a vantagem imposta à McLaren: Lewis Hamilton, do time inglês, recebeu a bandeirada, em terceiro, 32 segundos e 153 milésimos atrás do finlandês.

"Estamos definitivamente de volta à luta pelas vitórias", afirmou Massa, bastante frustrado por perder a liderança para Raikkonen no segundo pit stop. "Perdi por causa do tráfego de retardatários."

Em Mônaco, Hamilton venceu com Massa em terceiro, um minuto e nove segundos atrás. Na etapa seguinte, Canadá, o inglês da McLaren foi primeiro de novo e a melhor Ferrari, a de Raikkonen, quinta, recebeu a bandeirada com 13 segundos de atraso. O safety car ajudou essa diferença a não ser maior.

Nos Estados Unidos, outro passeio da McLaren, com Hamilton em primeiro e Fernando Alonso em segundo. Massa veio a seguir, 12 segundos mais lento no tempo total de prova. O campeonato parecia quase perdido para a Ferrari, "mas a forma como não fomos ameaçados por nossos adversários aqui em Magny-Cours nos deixa confiantes para a seqüência do Mundial", afirmou Raikkonen.

A dupla da Ferrari não reduziu a diferença como gostaria para Hamilton, líder na classificação, com 64 pontos, diante de 50 de Alonso, apenas sétimo neste domingo, 47 de Massa e 42 de Raikkonen. Mas o resultado abriu enormes perspectivas para a Ferrari nas nove etapas restantes para o fim da temporada.

"Finalmente, as coisas funcionaram bem para mim na largada. Ultrapassar Hamilton foi decisivo. Tinha algumas voltas a mais na pista em relação a Felipe e sabia que isso me ajudaria", explicou Raikkonen, com sua conhecida frieza.

"Tentei ultrapassar Felipe no primeiro pit stop, mas o tráfego não me permitiu", disse. Massa parou na 19ª volta e Raikkonen, na 22ª. "No nosso segundo pit stop (43ª e 46ª voltas, respectivamente), a situação se inverteu e consegui desfrutar melhor minha estratégia", falou o finlandês, que, agora, está a apenas 5 pontos de Massa o que, com certeza, deixa Jean Todt, diretor geral da Ferrari, sem poder concentrar seus interesses num ou outro piloto.

Raikkonen passa a ser mais um concorrente para Massa, que, até então, tinha apenas Hamilton e Alonso como adversários diretos na busca pelo título.

A imprensa desejava saber se Raikkonen sentia-se pressionado com a falta de melhores resultados na Ferrari. "Aliviado? O que posso dizer é que essa vitória ajuda. Tentei ser mais rápido o tempo todo, mas demorou mais do que pensava", comentou.

"O carro que experimentamos no teste de Silverstone, semana passada, definitivamente me auxiliou." E será na tradicional pista inglesa que Raikkonen e Massa se apresentam já no próximo fim de semana, no GP da Grã-Bretanha, nona etapa do calendário.

Pela oitava vez seguida, o estreante na Fórmula 1, Lewis Hamilton, chegou ao pódio. Em com uma estratégia ousada, com três pit stops.

Sua maturidade impressiona a todos. Sua forma aguerrida de ver a competição pode ser medida pela explicação depois da prova: "Não sei o que se passou, não larguei bem e Raikkonen me ultrapassou. Foi a primeira vez que alguém me ultrapassa na Fórmula 1.

Mas, da mesma forma, neste domingo, pela primeira vez, o talentoso inglês realizou uma ultrapassagem. Hamilton saiu dos boxes depois do segundo pit stop, na 37ª volta, no instante em que Robert Kubica, da BMW, passava. Valia o terceiro lugar. Com extrema habilidade, ganhou a posição na freada do fim da reta.

Depois das corridas de Mônaco, Canadá e Estados Unidos, os pilotos da Ferrari tiveram de explicar a diferença imposta pela McLaren. Neste domingo, foi a vez de Hamilton. "Não se pode vencer sempre. Num campeonato como esse, é preciso ser constante e somos."

A McLaren é a única equipe que teve os dois pilotos na zona dos pontos em todas as oito provas. Os quatro que lutam pelo título venceram, agora, duas etapas cada. "Penso ser possível já em Silverstone darmos um passo adiante, como a Ferrari conseguiu (neste domingo)", afirmou Hamilton.

Classificação final do GP da França:
1º Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), 1h30min54s200
2º Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 2s414
3º Lewis Hamilton (ING/McLaren), a 32s153
4º Robert Kubica (POL/BMW Sauber), a 41s727
5º Nick Heidfeld (ALE/BMW Sauber), a 46s801
6º Giancarlo Fisichella (ITA/Renault), a 52s210
7º Fernando Alonso (ESP/McLaren), a 56s516
8º Jenson Button (ALE/Honda), a 58s885
9º Nico Rosberg (ALE/Williams-BMW), a 1min08s505
10º Ralf Schumacher (ALE/Toyota), a 1 volta
11º Rubens Barrichello (BRA/Honda), a 1 volta
12º Mark Webber (AUS/Red Bull), a 1 volta
13º David Coulthard (ING/Red Bull), a 1 volta
14º Alexander Wurz (AUT/Williams-BMW), a 1 volta
15º Heikki Kovalainen (FIN/Renault), a 1 volta
16º Takuma Sato (JAP/Super Aguri), a 2 voltas
17º Adrian Sutil (ALE/Spyker MF1), a 2 voltas

Não completaram:
Scott Speed (EUA/Toro Rosso)
Christijan Albers (HOL/Spyker)
Anthony Davidson (GBR/Super Aguri)
Jarno Trulli (ITA/Toyota)
Vitantonio Liuzzi (ITA/Toro Rosso)