A cúpula do São Paulo tem influído em decisões de Ricardo Gomes neste início de temporada e alguns episódios deixaram claro que o treinador nem sempre pode tomar o rumo que deseja. No clássico contra o Santos, por exemplo, ele gostaria de ter poupado alguns titulares para ter todos à disposição e em boas condições na estreia na Libertadores, três dias depois.

Mas atendendo a um pedido do presidente Juvenal Juvêncio, o vice-presidente de futebol Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, exigiu força máxima para enfrentar o time santista, que teria o retorno de Robinho.

Ricardo Gomes colocou o que tinha de melhor em campo e o saldo acabou sendo negativo. Além da derrota por 2 a 1, o time perdeu o atacante Dagoberto com uma lesão muscular para enfrentar o Monterrey. “Não gostei de perdê-lo”, resumiu o técnico ao ser questionado sobre sua vontade de poupar os titulares no clássico.

A ingerência se repetiu no caso Oscar. O treinador deu declarações de que não usaria mais o jogador, que nem sequer lhe daria atenção nos treinos. Dez dias depois, no entanto, mudou o discurso, determinando que ele seria inscrito na Libertadores.

A justificativa oficial era de que Oscar, que está em litígio com o clube, se mostrou interessado e por isso receberia uma chance. “Esquece o que ele disse sobre o Oscar. É uma história que já passou”, afirmou Leco.

A orientação, porém, partiu mais uma vez de Juvenal. Foi o presidente que pediu para todos mudarem o comportamento em relação ao garoto. Ele deu até mesmo um puxão de orelha no superintendente Marco Aurélio Cunha, que disse que Oscar não teria vida fácil no São Paulo.

A estreia “relâmpago” de Cicinho contra o Monterrey também foi uma decisão da diretoria. Ricardo não tinha intenção de utilizá-lo, até porque ele chegou de viagem da Itália no dia do jogo. Mas como a procura por ingressos era pequena, os dirigentes anunciaram que o lateral-direito ficaria no banco para atrair mais torcedores.

Como reforço para a lateral esquerda, o técnico preferia Leonardo, do Olympiakos – até por quase não conhecer Thiago Carleto. Mas o ex-santista, que tem Juan Figer como procurador, está chegando para a diretoria ficar bem com o agente – que facilitou as contratações de Alex Silva e Cléber Santana.