A contratação do técnico Vanderlei Luxemburgo pelo Cruzeiro, anunciada nesta terça-feira, finaliza uma postura agressiva implementada nos últimos dias pelos dirigentes mineiros na arregimentação do substituto de Marco Aurélio. Decididos a levar para a Toca da Raposa um técnico ?top de linha?, a diretoria não demonstrou constrangimento ao assediar treinadores de outros clubes do País.

O diretor de Futebol Eduardo Maluf não concorda com a avaliação de que o clube mineiro poderia estar escorregando na questão ética. Segundo o dirigente, os contratos profissionais prevêem multa rescisória no caso de rompimento e alguns treinadores só assinam com o compromisso da diretoria de que serão liberados no caso de receberem proposta melhor. ?Foi o que aconteceu com o próprio Cruzeiro?, diz Maluf, se referindo à saída de Marco Aurélio – que vai dirigir o Kashiwa Reysol, do Japão -, a poucos dias do início da competição.

?O Marco Aurélio recebeu uma proposta para ir embora. Ninguém procurou o Cruzeiro, procurou o treinador?, defendeu-se. O ex-técnico cruzeirense, que havia trocado a Ponte Preta pelo clube mineiro no ano passado, durante a disputa do Campeonato Brasileiro, alegou aos dirigentes mineiros que havia recebido uma proposta ?irrecusável? dos japoneses.

?Mas ele teve de pagar uma multa de R$ 240 mil?, disse Maluf.

O mesmo argumento apresentado por Marco Aurélio foi utilizado por Luxemburgo para deixar o Parque Antártica. O ex-técnico da seleção e o vice-presidente de Futebol do Cruzeiro, Alvimar Oliveira Costa, concluíram as negociações na segunda-feira à noite. A notícia vazou na manhã desta terça-feira, e os dirigentes palmeirenses foram pegos de surpresa, como admitiu o diretor de Futebol Sebastião Lapola.

Emerson Leão, técnico do Santos, também afirmou ter recebido uma proposta irrecusável para dirigir o time mineiro no Brasileiro. De acordo com Maluf, Leão só não se transferiu para a Toca porque não conseguiu a liberação dos dirigentes do Peixe.

Jair Picerni, recém-contratado pelo Guarani, e Tite, técnico do Grêmio, também foram sondados, mas descartaram deixar os atuais clubes no momento. Tite, cujo contrato, segundo Maluf, não prevê multa rescisória, alegou ter um compromisso moral com os dirigentes gremistas, mas disse estar à disposição a partir de janeiro.

A investida para tirar Picerni do Brinco de Ouro, porém, gerou descontentamento entre os dirigentes campineiros. O presidente José Luís Lorencetti ligou para o próprio Maluf cobrando explicações. ?Disse para ele que se o Jair acertasse, falaríamos com ele?, justificou o diretor de Futebol do Cruzeiro.