1. Xô, assombração!
Demorou 23 anos, mas a Federação Paranaense de Futebol mudou de mãos de modo democrático. A primeira eleição após a saída de Onaireves Moura, preso e afastado do cargo em 2007, foi tensa e cheia de acusações. Na votação, em abril, Hélio Cury derrotou com facilidade o candidato oficial do governo do Estado, o secretário chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro. Em dezembro, Cury atropelou o discurso moralizador e comandou nos bastidores o prolongamento do mandato de quatro para sete anos.
2. Gralha aninhada
Em campo, o Paraná Clube teve temporada ruim, com mais baixos que altos e um sufoco que durou quase toda a disputa da Série B. Fora das quatro linhas, deu um passo importante rumo à modernização. No dia de seu aniversário (19 de dezembro), o Tricolor apresentou o Ninho da Gralha, o centro de treinamento com oito campos oficiais que vai concentrar o time profissional e as categorias de base. O espaço segue em obras e foi construído por um parceiro, mas de qualquer forma preenche lacuna sentida desde a fundação paranista.
3. K9 é 10
Os coxas-brancas já sabiam de seu potencial, mas em 2008 todo o Brasil conheceu a classe do menino do interior do Mato Grosso do Sul. No ano em que completou duas décadas, Keirrison encantou a todos com um futebol refinado e uma frieza impressionante para balançar as redes. Foi artilheiro do paranaense, do Brasileirão, do País ao longo da temporada e eleito maior revelação do Nacional-08. Como recompensa, prepara novos vôos em 2009. O Coritiba já se conformou em perdê-lo, mas ainda briga por uma compensação condizente.
4. O milagre de Eugênio
Tudo parecia perdido. O time se arrastava em campo, o fator Arena não produzia mais efeito, fora dela o desempenho era ainda mais desastroso, o DM vivia cheio. A última saída para evitar o rebaixamento do Atlético era quase mística: evocar “São” Geninho. E eis que, com a calma que lhe é peculiar, o campeão de 2001 resgatou o moral do elenco e fez da torcida novamente um propulsor. Com uma arrancada espetacular, o Furacão quase abatido reagiu e escapou do inferno com uma vitória em jogo decisivo na Arena (aleluia), contra o Flamengo.
5. Vovô moderno
Imponente, lendário e charmoso, o Couto Pereira sempre orgulhou os alviverdes. Mas não há vínculo afetivo que resista ao curso da história (Wembley que o diga). A diretoria do Coritiba, ciente que a indústria futebolística atual exige praças modernas e confortáveis, apresentou em 2008 o projeto do novo estádio. Multiuso, com capacidade para 42 mil pessoas, shopping e diversos outros equipamentos, o esboço do Couto século 21 chegou em novembro à prefeitura de Curitiba. O salto em direção ao futuro começaria a sair do papel no ano do centenário.
6. 33 vezes Coxa
Transição política, técnico chegando em cima da hora, elenco montado do jeito que dava. O começo de ano do Coritiba não era exatamente promissor. Mas aos poucos Dorival Júnior moldou um time coeso e competitivo, que mesclava contratações acertadas (como Jéci e Carlinhos Paraíba) com o talento dos meninos Keirrison, Marlos e Pedro Ken. Na fase decisiva, duas vitórias sobre o Paraná Clube na semifinal e a coroação com a conquista do título na casa do maior arquirrival, Atlético, com gol do predestinado Henrique Dias.
7. A voz dos descontentes
Nos últimos 13 anos, Mário Celso Petraglia e seu grupo comandaram o Atlétic,o quase sem contestação. Mas no furor da sofrível campanha no Brasileirão, uma oposição ganhou voz e ousou medir forças com o chefão nas urnas. Em dezembro ocorreu o primeiro bate-chapa no Furacão em 33 anos. Como era esperado, venceram Marcos Malucelli e Gláucio Geara, alinhados com Petraglia, mas a votação significativa do grupo reverso mostrou que o Atlético pode sim ser democrático e não é clube de uma ideologia só.
8. A Copa é nossa
Parecia lógico que Curitiba seria uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Mas neste tabuleiro em que a política muitas vezes prevalece sobre questões técnicas, a capital paranaense se viu bastante ameaçada de ver o mundial pela TV. Por sorte, a falta de unidade política, os problemas crônicos na Federação e um certo desinteresse do governo do Estado foram gradativamente sanados. Em dezembro, a notícia que seriam 12 as sedes, em vez de 10, antecipou o foguetório de Curitiba, agora quase 100% dentro da Copa.
9. Paixão sem bola
A terceira maior cidade do Paraná é apaixonada por futebol, tem belo estádio e história marcante no esporte, com três títulos estaduais. Nem assim consegue manter um time de futebol. O fim do Adap Galo, último representante da Cidade Canção, exemplifica bem o drama do futebol no interior paranaense. Mesmo com um dos maiores orçamentos fora da capital, os empresários que tocavam o clube alegaram não suportar o prejuízo e abdicaram da vaga na 1.ª divisão estadual. Procura-se um herdeiro definitivo para o bom e velho Galo.
10. Estádio inteiro
Desde a inauguração da Arena, em 1999, os atleticanos aguardam pelo momento da conclusão da moderna praça. Enquanto a diretoria tentava resolver as pendências com o colégio e, mais tarde, esperava os desdobramentos da organização da Copa do Mundo de 2014, os adversários, talvez com uma ponta de ciúme, chamaram a Baixada de “meio-estádio”. Mas o clube arregaçou as mangas e, impulsionado pelo sucesso do programa sócio-torcedor, começou em 2008 as obras do primeiro anel do setor Coronel Dulcídio. A previsão da entrega é para maio.


