“Eles com a bola não erram passe, jogam longo, jogam curto…”. É sobre Luka Modric e Ivan Rakitic que recaem as esperanças croatas e a preocupação dos brasileiros para evitar uma surpresa nesta quinta-feira, no Itaquerão. Os elogios, feitos por Felipão logo após o amistoso contra a Sérvia, mostram que o técnico sabe exatamente onde mora o maior perigo do rival.

Habilidosos, donos de uma visão de jogo privilegiada e com a capacidade de resolver partidas em um lance, os meias carregam o respeito do treinador brasileiro e o sonho de um país inteiro que aposta suas fichas numa boa campanha da seleção europeia. Rakitic e Modric são, hoje, os maiores ídolos do futebol croata e os nomes mais expressivos desde a geração que conquistou o surpreendente terceiro lugar no Mundial de 1998.

“São dois jogadores que puseram as suas marcas na Europa, nas competições continentais. São os líderes de suas equipes e é normal que os croatas esperem que eles joguem da mesma forma na seleção. Estão no melhor de sua forma e esperamos que possamos nos beneficiar de sua criatividade e de seus passes. Só podemos agradecer pelo esforço que eles têm feito para nos ajudar”, elogiou Olic.

Escalados de maneira mais ofensiva em seus clubes, os meias têm função diferente na seleção. O técnico Niko Kovac costuma colocá-los centralizados para que todas as bolas passem por seus pés; dessa forma, os avanços são mais contidos e ficam mais a cargo dos homens de frente, o que não quer dizer que eles não aparecerão na área com certa frequência.

O entrosamento de sete anos jogando juntos na seleção facilita ainda mais o trabalho. “Sei todos os seus movimentos sem precisar vê-los”, disse Rakitic sobre o companheiro.

Modric é o grande maestro. Titular do Real Madrid, foi peça fundamental para a conquista do título da Liga dos Campeões e finalmente se encaixou na Espanha, depois de se destacar no Tottenham.

Aos 28 anos, algumas vezes é criticado em seu país por não render o mesmo que nos clubes, mas nega que isso tenha a ver com seu posicionamento. “Já disse mais de mil vezes que gosto da faixa em que jogo, estou contente da forma que venho atuando na seleção”, reclamou em entrevista coletiva.

Rakitic, por sua vez, brilhou com o Sevilla e foi o grande nome da equipe na conquista da Liga Europa. As excelentes atuações pela equipe despertaram a cobiça dos gigantes europeus e ele deve continuar na Espanha, mas agora defendendo o Barcelona, que pagará 20 milhões de euros para tirá-lo da Andaluzia.

SONO TRANQUILO – A experiência na Europa ajuda também a dupla a mapear seus possíveis adversários. Daniel Alves, Neymar e Marcelo, por exemplo, jogam na Liga Espanhola, assim como os adversários de quinta-feira. E sobre o atacante, maior esperança do Brasil para a conquista do hexa, Modric parece não perder o sono com ele.

“Ele não teve grande temporada inicial pelo Barcelona, mas, no Brasil, é um grande jogador e parece que muda. Mas vários times já o pararam antes e tenho certeza de que acharemos uma forma. Além disso, o Brasil não é só Neymar.”