Turim – Os Jogos Olímpicos de Inverno de Turim 2006 terminaram ontem, deixando um legado importante para o esporte brasileiro. Ao longo de 16 dias, a delegação nacional quebrou algumas marcas que ficarão gravadas na história da participação brasileira em esportes de gelo e de neve. Para Turim, o Brasil se classificou com o maior número de modalidades em uma edição de Jogos de Inverno, cinco ao todo. Foi também nas montanhas da região do Piemonte que o Brasil alcançou resultados pouco imagináveis antes do início da competição. O mais importante deles o da snowboarder carioca Isabel Clark, de 29 anos, que conquistou a nona colocação na prova de boardercross. Este é o melhor resultado brasileiro de inverno em todos os tempos. "A participação brasileira nos Jogos Olímpicos de Turim foi mais uma conquista do Movimento Olímpico Brasileiro, das Confederações Olímpicas de Neve e de Gelo e dos atletas, que representaram muito bem o país. Os resultados foram ainda melhores em relação aos Jogos de Salt Lake, o que mostra uma constante evolução dessas modalidades no Brasil", disse o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman.

Segundo Nuzman, o mais difícil está sendo alcançado, que é criar uma mentalidade de prática de esportes de inverno nos jovens brasileiros. "Os resultados em Turim comprovam o talento brasileiro para esses esportes e ajudam a incentivar ainda mais as novas gerações à prática das modalidades de inverno", disse Nuzman, lembrando a importância dos recursos da Lei Agnelo/Piva na preparação da delegação brasileira. "Os recursos da Lei Agnelo/Piva foram fundamentais para a classificação do Brasil em um número recorde de modalidades e na boa participação dos atletas em Turim", completou o presidente do COB.

Marco histórico

Nos esportes de neve, a participação brasileira só trouxe evolução em relação aos jogos anteriores. Com mais atletas e modalidades em relação a Salt Lake City, os resultados comprovaram a evolução nacional. "A nossa participação foi muito acima da nossa expectativa. Baixamos as marcas em todas as modalidades, esqui alpino e esqui cross country. Na nossa estréia no snowboard, a nona colocação da Isabel Clark foi um marco brasileiro em Jogos Olímpicos de Inverno", afirmou Stefano Arnhold, presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve. "A minha experiência olímpica foi muito boa. Quero continuar mantendo essa motivação nas etapas da Copa do Mundo", disse Isabel Clark, que já pensa nos Jogos de Vancouver-10. "Tenho quatro anos pela frente onde vou ganhar ainda mais experiência internacional. Não posso me acomodar com o que já conquistei. O mais importante para mim é continuar tendo boas performances, independente de resultados", disse Isabel, que já disputa a etapa da Copa do Mundo de Lake Placid, nos Estados Unidos, no dia 12 de março. "Estou com muita saudade do Brasil, mas ainda não será desta vez que volto para casa. Estou precisando de um descanso, mas é bom já ter um novo desafio. É o que eu gosto de fazer", afirmou a atleta carioca.

Além do resultado de Isabel, o Brasil melhorou suas marcas também no esqui alpino. No slalom gigante, Nikolai Henstch foi o 30.º colocado entre 82 participantes. Esta foi a melhor colocação brasileira em uma prova de esqui alpino em Jogos Olímpicos de Inverno. Nikolai também marcou a 43.ª colocação no downhill, entre 55 participantes. Já Mirella Arnhold, em sua despedida das competições, foi a 43.ª colocada entre 62 participantes no slalom gigante. Esta foi a melhor colocação de uma atleta brasileira no esqui alpino desde os Jogos Olímpicos de Inverno de Albertville-92.

No esqui cross country, o Brasil deu um passo adiante em relação a sua estréia olímpica, em Salt Lake-02 , quando os brasileiros ficaram em último, tanto no masculino quanto no masculino. Em Turim, Jacqueline Mourão se tornou a primeira mulher brasileira a disputar as duas edições de Jogos Olímpicos, de Verão e de Inverno. A mineira, que participou da prova de mountain bike em Atenas-04, chegou na 67.ª colocação entre 72 participantes na prova de 10km, estilo clássico. Já Hélio Freitas foi o 93.º colocado entre 99 participantes nos 15km, também estilo clássico. "O cross country é um esporte que ainda engatinha no Brasil, mas já mostra muita possibilidade de evolução. Tanto a Jaqueline quanto o Hélio foram os primeiros em relação aos atletas de países pequenos, no que diz respeito a Jogos de Inverno", explicou Stefano, adiantando que a CBDN pretende classificar atletas de biatlon para os Jogos de Vancouver. "A nossa promessa ao COB é classificar sempre mais uma modalidade em relação aos jogos anteriores. Até aqui estamos cumprindo o prometido. Não será fácil classificar o biatlon, mas já temos atletas treinando para isso", completou o presidente da CBDN.

País tropical

No bobsled, a grande vitória da equipe brasileira formada por Ricardo Raschini, Márcio Silva, Claudinei Quirino e Edson Bindilatti foi estar presente na competição olímpica, ao lado de países com muito mais histórico em esportes de gelo. O Brasil foi o único país tropical a se classificar para os jogos, superando vários adversários com mais tradição na Copa Challenge, na Alemanha, em janeiro. "Temos que sair de cabeça erguida e já começar a pensar nos Jogos Olímpicos de Vancouver. Só o fato de estar aqui já foi muito importante e nos trouxe várias lições para o futuro", disse Eric Maleson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG). "O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Vancouver-10 nos fez um convite para que a nossa equipe treine na pista dos jogos com bastante antecedência. Vamos avaliar com carinho esta idéia", completou Eric. Em Turim, Claudinei Quirino se tornou o primeiro medalhista olímpico brasileiro a participar dos Jogos Olímpicos de Inverno e de Verão. Claudinei conquistou a prata no revezamento 4x100m rasos nos Jogo Olímpicos de Sydney 2000.

A vencedora dos Jogos de Turim foi a Alemanha, pela terceira vez consecutiva.