| Depois de se desculpar, Luís Carlos foi para os treinos e está escalado para domingo. |
Manhã de quarta, e Luís Carlos volta a treinar pelo Coritiba. Depois da suspensão por ato de indisciplina, ainda em Maringá, o centroavante não imaginava como seria sua chegada, muito menos a reação do técnico Antônio Lopes.
Mas ele descobre rapidamente – ao abrir seu armário do vestiário do CT da Graciosa, ele vê ali, reluzente, um extintor. É a reação do grupo ao retorno dele e do também atacante Nunes.
O centroavante percebeu que Lopes tinha já achado suficiente a má repercussão do caso e as punições anteriores – suspensão de cinco dias (com desconto nos vencimentos), multa no salário e o pagamento dos danos causados ao hotel que servia de concentração ao Coxa em Maringá. "Acho que a punição foi bem aplicada", comenta Luís Carlos, ainda demonstrando arrependimento e tristeza pelo caso.
Ele dá a impressão de ter captado o recado mandado pelo Delegado. "Acho que eu tinha que passar por uma situação destas", reconhece o jogador, que era um dos mais brincalhões do elenco alviverde. "Tem certas brincadeiras que eu fazia que nunca mais vou fazer. A gente tem que entender que nem tudo é aceito, e que nós temos que respeitar isso", completa o jogador.
Luís conheceu o lado "ruim" de viver em uma concentração. "Nós estávamos todos juntos, e havia algumas leis que nós tínhamos que seguir. E mesmo que elas não sejam fáceis de aceitar, temos que atendê-las. Leis estão aí para serem cumpridas", resume o jogador, que acabou transgredindo uma das regras mais simples de uma concentração – a da calmaria noturna, quebrada pela invasão dos quartos com um extintor.
E o centroavante agora vai usar o caso como lição. "Passei por um aprendizado. Cometi um erro e paguei por isso", diz Luís Carlos, que no dia de seu retorno trabalhou como titular nos dois treinos do Coritiba – que não pode contar com Negreiros, que está suspenso. Ele deve ser o titular na partida de domingo, às 15h55, contra o Roma, no Estádio Willie Davids, em Maringá. "Se o Lopes precisar de mim, é claro que vou estar pronto. É ele quem decide se eu vou jogar ou não", afirma o jogador.
O Delegado, por sua vez, já deixa claro que a história não será esquecida, mesmo que seja levada na galhofa. "A gente apelidou ele e também o Nunes de ‘bombeiros’", comenta Lopes, sem esquecer que o pagamento da dupla ainda não acabou. "Eles precisam pagar as coisas que estragaram lá no hotel", avisa. Se é muito para Luís Carlos? "Meu salário é pequeno, a multa também não foi alta", afirma.
E se a brincadeira não pára, as dúvidas e as críticas só sumirão de uma forma. E Luís Carlos sabe a maneira – como se atingisse os problemas com um extintor. "Quero jogar bem e marcar muitos gols para apagar a imagem que ficou deste episódio e continuar ajudando o Coritiba a vencer as partidas", finaliza.
Nunes não assimilou
Se Luís Carlos parecia triste, o atacante Nunes estava chateado. Ele, que mal chegou ao Alto da Glória, acabou ?apresentado? já no caso do extintor. Agora, o jogador precisa recomeçar do zero. Este ?carimbo? é o primeiro que Nunes tenta arrancar de si. ?Acho que nós não somos indisciplinados, apenas fizemos uma brincadeira que se excedeu?, afirma o atacante. Ele diz que o caso só aconteceu porque o elenco estava recluso em Maringá. ?Nós estávamos lá concentrados, e estas brincadeiras servem para aliviar o ambiente?, garante o jogador.
Por isso ele não gostou do que viu na imprensa. ?Passaram para frente uma imagem que não é a nossa. Eu via nas emissoras de TV, nos jornais e nas rádios algumas acusações que não são certas?, reclama Nunes, campeão da Copa São Paulo em 2003 com o Santo André, e que chegou há um mês, vindo do União São João de Araras.
E Nunes sabe que, como Luís Carlos, precisa ?apagar? a má impressão dos fatos – dentro do campo. ?Quero ter a minha oportunidade. Sei que o professor Lopes vai continuar acreditando na gente?, afirma o atacante, que acha que a reapresentação imediata já prova que o fato foi esquecido.
Coxa enfrenta o Náutico na Copa do Brasil
O Coritiba vai mesmo enfrentar o Náutico na segunda fase da Copa do Brasil, em dois jogos. O time pernambucano venceu o Palmas de Tocantins, ontem à noite. Os gols foram marcados por Kuki e Almir (2), com Joãozinho descontando para o time de Tocantins.
Agora a diretoria espera a definição da CBF para também confirmar a viagem para Maringá. Isso porque, se o jogo de ida for confirmado para a próxima semana, o grupo todo segue para o Norte, pois a viagem para Recife seria feita logo após o jogo contra o Roma. Caso a partida fique para a semana seguinte, a delegação será reduzida (ao invés de 25, iriam dezenove jogadores), e o grupo retorna a Curitiba, já que a rodada seguinte do Paranaense – quando o Coxa enfrentará o União Bandeirante – só acontecerá no outro final de semana.
E o clube já sabia, de antemão, que jogaria a partida de volta em Curitiba. No regulamento da Copa do Brasil a CBF definiu que os times de melhor colocação no ranking da entidade seriam os mandantes dos segundos jogos nas duas primeiras fases. Foi assim contra o CFZ, e será da mesma forma contra o Náutico.