Apesar de o coronel Antônio Carlos Nunes, presidente da Federação Paraense de Futebol, ter sido eleito e já empossado vice-presidente da CBF com a anuência de 44 dirigentes, a eleição desta quarta-feira segue sendo considerada irregular por alguns cartolas. Ednaldo Rodrigues, que é presidente da Federação Baiana, e dois dos vice-presidentes da CBF, Delfim Peixoto e Gustavo Feijó, insistem que o estatuto da entidade foi infringido. Para Peixoto, houve um golpe.

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“Lógico que foi golpe. ‘Ah, foi uma jogada política’. Jogada política, foi golpe!”, afirmou Delfim, logo após a assembleia. “O Marco Polo (Del Nero, presidente licenciado) quer saber se ele vai continuar mandando. Ele está fora, mas está mandando. Todo mundo sabe. Todo mundo que está aí é gente dele. É gente que segue o que ele manda.”

Para Delfim Peixoto, a eleição do coronel Nunes não vai alterar o panorama do futebol brasileiro. “A chegada do Nunes, com todo o respeito que eu tenho por ele, não vai mudar nada. Ele vai continuar lá no Pará, de vez em quando ele vem por aqui…”

Delfim, que também preside a Federação Catarinense e até antes da eleição de Nunes era o primeiro na linha de sucessão na CBF, move uma ação na 2ª Vara Cível do Rio contra a assembleia eleitoral desta quarta. Ele chegou a obter uma liminar proibindo a realização do pleito, derrubada na véspera pela CBF.

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“A convocação da eleição não poderia existir. Foi um juiz quem disse isso (Mario Cunha Olinto Filho). Um magistrado jovem, inteligente, que deu um excelente despacho. Não o conheço, nunca o vi na vida, não sei quem é. Só vi seu nome, e deu um excelente despacho que suspendeu a eleição”, declarou.

Depois, ele criticou a decisão da desembargadora Cláudia Pires dos Santos Ferreira, da 6ª Câmara Cível, que acatou agravo da CBF na terça e permitiu o pleito. “A desembargadora, que provavelmente não conhece futebol, não leu o estatuto da CBF, muito rapidamente, em uma hora, derrubou um estudo profundo”, considerou Peixoto, lembrando que a ação prossegue na Justiça do Rio.

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Gustavo Feijó, vice que representa a região Nordeste e que nesta quarta se absteve de votar – ele representou o CRB -, aponta para o desrespeito em diversos itens do estatuto. “Já me manifestei. Houve uma reunião pela manhã com o presidente em exercício (Marcus Vicente) e também vou fazer por escrito. Somos regidos pelo estatuto, e se nós não pudermos cobrar nosso direito, eu não sei onde o País vai parar”, comentou.

Ele admitiu ainda que o estatuto da CBF “passa batido” por boa parte dos dirigentes. “Confesso a todos vocês, e peço desculpas até a mim mesmo, porque eu nunca tinha parado para estudar o estatuto da casa. Quando a gente precisa, quando assume algumas posições, é preciso entender os direitos e os deveres. E muitas vezes a gente aqui na casa foi se passando e nunca paramos para ver.”