O Time Brasil montou um quartel-general em Toronto pensando no Top 3 do quadro de medalhas dos Jogos Pan-Americanos, mas também de olho no Top 10 da Olimpíada de 2016, no Rio. A estrutura, que receberá um quarto da delegação brasileira no Canadá, conta com alojamento, quadras específicas para lutas, basquete e tênis, piscina, pista de atletismo e refeitório próprio. Gestada no Pan de Guadalajara, no México, em 2011, a ideia ganhou um incremento nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, foi aprimorada agora e servirá como teste final para o Rio-2016.

O QG do Brasil fica na Universidade de York, local que receberá competições de tênis e atletismo no Pan. “Isso evita o deslocamento de atletas. Conseguimos montar uma estrutura dentro de locais ou muito próximos das competições oficiais”, falou com entusiasmo o gerente geral de Juventude e Infraestrutura do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Edgar Hubner.

Hubner conta que a primeira experiência aconteceu há quatro anos, quando atletas da natação, tae kwon do, triatlo e atletismo se instalaram em San Luis Potosí para a disputa dos Jogos de Guadalajara. Considerada positiva, a medida foi ampliada em Londres e o Time Brasil se hospedou no Crystal Palace, um moderno complexo esportivo. Agora, repete a dose em Toronto. “A primeira visita (à Universidade de York) foi há três anos e já visitamos Tóquio (sede dos Jogos Olímpicos de 2020)”, revelou Hubner. “As opções nem sempre estão disponíveis para todos”, ponderou.

O dirigente não revelou valores do aluguel da estrutura que, nesta terça-feira, ainda recebia menos da metade dos 145 atletas que circularão pelo local até o próximo dia 26, quando acontece o encerramento da disputa. “No dia do encerramento da missão vamos dar o orçamento detalhado”, prometeu. O orçamento total da missão brasileira no Canadá é estimado em R$ 10 milhões, incluindo recursos federais – através da Lei Agnelo-Piva – e de patrocinadores privados.

CAMA, MESA E BANHO – Além de base de treinos, a Universidade de York também serve como alojamento para as modalidades. São 11 prédios, com quatro andares cada, com capacidade para receber todos os atletas, médicos, equipe de apoio e funcionários do COB. Os quartos são individuais e a mobília padronizada. Essa homogeneidade pode reservar algumas dificuldades. A cama do dormitório da judoca Nathália Brígida, da categoria até 48 kg, por exemplo, é semelhante a dos grandalhões do basquete como Rafael Hettsheimeir, de 2,08 metros.

O vaivém marcará a rotina dos brasileiros durante a competição. Conforme a data da estreia se aproxima, a maioria dos competidores se muda para a Vila Pan-Americana e cede espaço para quem está chegando. Esse é o caso dos 80 representantes do atletismo, que entram em ação a partir da segunda metade dos Jogos.

Mas nem só de brasileiros é formado o QG do Time Brasil. A globalização do Pan chegou até a cozinha. A alimentação da delegação está sendo preparada por um tunisiano, criado no Marrocos e residente no Canadá. Em maio, o chef executivo da Universidade de York, Abdel Belkadi, passou uma semana em Saquarema (RJ) – base da seleção brasileira de vôlei – para aprender a cozinhar com o gostinho brasileiro. Além do arroz e feijão, ele precisou aprender a preparar farofa. Entre café da manhã, almoço e jantar, são cerca de 500 refeições diárias. “Foi uma experiência ótima para mim, posso satisfazer todos os atletas agora”, afirmou.

Para isso, conta com a ajuda diária da nutricionista Renata Parra, do COB. De acordo com a profissional, em York é possível evitar as “tentações” da Vila Pan-Americana, como pizza e hambúrguer. “A gente tentou fazer com que eles se sentissem no Brasil, tentamos trazer uma alimentação bem caseira e fazê-la equilibrada nutricionalmente. Usamos preparações com menos molho, sem fritura e pouco condimento”, explicou.