Nada do que se fez até agora neste ano, nem mesmo os treinos livres que terminaram em Melbourne na madrugada de hoje, terá muita importância a partir da meia-noite, quando começa a ser definido o grid do GP da Austrália, prova que abre a temporada 2008 da Fórmula 1.

É essa sessão, dividida em três partes, a última delas destinada aos dez mais rápidos das duas anteriores, que dará o primeiro veredicto do ano. Serão as posições de largada que mostrarão quem, afinal, trabalhou melhor na pré-temporada.

A normalidade indica que Ferrari e McLaren vão dividir as duas primeiras filas. Em qual ordem, é difícil prever. A ?superpole?, última parte da classificação, está diferente neste ano. Serão apenas 10 minutos e nada de ficar queimando gasolina para repor antes da largada. O combustível que estiver no tanque ao final do treino é o mesmo que estará no carro no grid. Nem um litro a mais.

Tal mudança de regulamento pode alterar as estratégias dos pilotos, que dependendo do circuito, da temperatura e do comportamento dos pneus poderão optar por largar um pouco mais atrás, treinando mais pesados, para privilegiar a tática de corrida – adiando o primeiro pit stop, por exemplo. Largar na frente, no entanto, será tão importante quanto sempre foi, dadas as dificuldades de ultrapassagens na F1 atual. Por isso, a briga vai ser boa.

Na escolta das duas principais equipes, estarão no páreo Williams, BMW Sauber, Renault e, talvez, Red Bull. Os candidatos à pole esta noite são os de sempre, a dupla da Ferrari, Raikkonen e Massa, e Hamilton, pela McLaren. Kovalainen, estreante no time prateado, não tem grandes ambições, ao menos por enquanto.

Ontem, na primeira coletiva do ano em Melbourne, os organizadores juntaram os três primeiros colocados de 2007. O campeão Raikkonen disse que não se considera favorito para conquistar o bi. ?O campeonato ainda nem começou. Esperamos fazer o melhor papel possível, mas são duas equipes na briga pela ponta?, disse. Kimi comentou também que não vê Alonso como um concorrente ao título. ?Ele não tem um carro tão rápido quanto no ano passado?, aposta.

Fernando concordou. ?Quando eu saí, no fim de 2006, todos estavam confiantes. Depois do que houve na temporada passada, talvez isto tenha diminuído um pouco?, comentou o asturiano. ?Mas é só uma questão de tempo para que coloquemos a equipe em um patamar melhor. Estar de volta é um desafio para mim e para todos no time, e todos estão motivados para voltarmos a ter o sucesso que tivemos no passado?, concluiu.

Hamilton, vice-campeão de 2007, garantiu que não se sente pressionado neste início de temporada. ?No ano passado, eu tive de aprender tudo, e carreguei muito peso sobre os meus ombros porque ninguém saberia dizer se eu teria sucesso ou não. Agora, é diferente. Sei o que esperar do campeonato, e sinto mais sede de vencer. Estou animado com a prova, pois faz tempo que não corro. Parece que faz uma eternidade que disputamos a última corrida?, finalizou.

Ron Dennis pensou em parar

De volta aos holofotes em Melbourne depois da apresentação do MP4-23 – e de ouvir inúmeros boatos confirmando sua saída da direção da McLaren -, Ron Dennis acredita que ainda pode contribuir com a sua equipe.

O dirigente comentou que chegou, sim, a pensar em deixar o comando do time de Woking, mas sua paixão pelo esporte o fez mudar de idéia.

?Existem pessoas que não entendem o que aconteceu nos últimos meses. Pensei, no início do ano passado, que estaria na minha última temporada presente nas corridas, principalmente devido ao tempo em que venho fazendo isso. Porém, isso é algo privado, que eu não preciso dividir com ninguém?, disse o dirigente. Para Dennis, toda a questão envolvendo sua permanência se tornou ?algo muito maior do que realmente é?.