Os árbitros acusados de corrupção vão alegar inocência no julgamento de segunda-feira, no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD). A estratégia da defesa de Sandro César da Rocha, Carlos Jack Rodrigues Magno, Marcos Tadeu Silva Mafra e Antônio Oliveira Salazar Moreno é negar o envolvimento nas maracutaias descritas por Evandro Rogério Roman.
O advogado Domingos Moro, contratado pelos quatro, sustenta que não houve a infração pela qual todos foram denunciados – a manipulação de resultados, que de acordo com o Código Brasileiro de Justiça Desportiva prevê a eliminação do futebol. ?As provas inexistem porque não há delito. E não há condenação sem provas?, disse o advogado.
Moro também pretende evocar o que considera irregularidades no andamento do processo, que resultou na denúncia de 13 pessoas pela Procuradoria do TJD. Ele reclama que a defesa não pôde ser ouvida na fase de inquérito e que as testemunhas não prestaram depoimento de forma isolada, como exige o rito jurídico. ?No dia do julgamento, podemos representar pela eventual nulidade do processo?, disse o advogado.
Já o presidente do Sindicato dos Árbitros do Paraná, Amoreti Carlos da Cruz, vai alegar que o TJD não tem competência legal para julgá-lo. O advogado do ex-árbitro, Celso Camargo, protocolou ontem, na secretaria da FPF, um pedido de anulação do julgamento e a extinção do processo contra seu cliente. ?Ele está afastado há sete anos dos gramados e não pode ser julgado pela Justiça Desportiva?, sustenta o advogado. Camargo diz ainda que a FPF sequer reconhece o sindicato – o presidente Onaireves Moura recebe como representante da categoria a Associação dos Árbitros, presidida por Henrique Fraça Triches.
Já o procurador Davis Bruel, responsável pelas denúncias, acredita que Amoreti pode sim sentar-se no banco dos réus. Em entrevista à Rádio CBN, Bruel citou o exemplo do ex-presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Armando Marques, que mesmo depois de destituído do cargo foi alvo de um inquérito instaurado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Prude quer anular jogo
Não bastasse toda a confusão envolvendo arbitragem no futebol local, agora o Prudentópolis põe mais sujeira no ventilador. A diretoria do clube entrou ontem no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) com um pedido de anulação da partida contra o Toledo, disputada no último domingo.
O Prude reclamou de vários lances em que teria sido prejudicado pelo árbitro Maurício Batista dos Santos e pelo auxiliar Renê Stavinski. Na petição, o presidente do clube, João Alberto Ituarte, questionou a escalação de Stavinski, citado pelo dirigente em seu depoimento no inquérito do ?caso Bruxo?. O dirigente declarou ainda que a Série Prata é imoral e ameaçou parar o campeonato caso a partida de domingo, vencida pelo Toledo por 3 x 2, não seja anulada.
Em nota oficial enviada pela FPF, o chefe da Comissão Provisória de Arbitragem, Paulo César Silva, alegou que Ituarte deu aval a Stavinski no depoimento ao TJD. Segundo o diretor de árbitros, o presidente do Prudentópolis teria dito que ?não tem nada contra ou a favor de Stavinski?.
Na verdade, esta é uma interpretação equivocada das declarações de Ituarte. No depoimento prestado em 19 de setembro ao auditor Octacilio Sacerdote Filho, o dirigente reclama que Stavinski aplicou cinco cartões amarelos nos 20 primeiros minutos de uma partida da Série Prata de 2005.
O caso foi encaminhado para a procuradoria do TJD, que deve se manifestar até amanhã se leva o pedido a julgamento.


