Os dirigentes da Honda vão se reunir segunda-feira, no Japão, para decidir se repassam a equipe da Fórmula 1 para um comprador, já existente, ou se simplesmente a fecham. O que está em jogo é se será bom para a imagem da montadora japonesa o carro, de repente, ser eficiente com o motor Mercedes. Nesse caso, muita gente vai acreditar que o time não realizou nenhuma conquista relevante desde a volta à competição, em 2006, por causa do motor Honda.

“É o que está pegando agora”, afirmou o piloto brasileiro Bruno Senna, nesta sexta-feira, diretamente de Londres, onde ele se mantém em contato com Ross Brawn e Nick Fry, os responsáveis pelas negociações com os interessados na aquisição da equipe. Se a cúpula diretiva da Honda concluir que é melhor não abrir essa brecha – de vender a escuderia e ela começar a ir bem no campeonato da Fórmula 1 -, não importará a extensão da proposta, estará tudo acabado na segunda-feira.

“Fiquei sabendo que eles vão tomar uma decisão segunda-feira na reunião que tive com o time, anteontem (quinta). Vão analisar se é bom ou ruim para a Honda se o carro andar bem”, explicou Bruno Senna, que o principal candidato a ser piloto da equipe caso ela seja vendida. “Tive hoje (sexta) uma conversa com Bernie Ecclestone (o promotor da Fórmula 1) e ele também está bem desgostoso com a situação. A informação inicial foi de que essa decisão seria tomada até o fim de janeiro e já estamos no final de fevereiro.”

Esse atraso em saber o que os japoneses da Honda desejam está comprometendo as possibilidades de o time dispor de um mínimo de preparo para competir no campeonato que começa no dia 29 de março, na Austrália. E prejudica até mesmo as relações entre Ecclestone e os promotores das provas – faz diferença também para os organizadores prepararem-se para receber nove ou 10 equipes.

“O carro está pronto e, se a direção da Honda decidir que vai repassar o time, o primeiro teste deve ocorrer já nos treinos de Jerez de la Frontera (Espanha), na primeira semana de março”, explicou Bruno Senna. Ross Brawn e seu grupo de técnicos modificaram o projeto original para o carro poder utilizar motor Mercedes, contemplando todas as consequências dessa alteração. “No mínimo a equipe fará três dias de testes no treino final, a partir do dia 12 (em Barcelona).”

“A essa altura eu torço muito para a equipe continuar e eles confirmarem o que me vêm dizendo: que me querem lá”, explicou o piloto brasileiro, que tem na sobrevivência da Honda a sua única chance de estrear na Fórmula 1 já na temporada 2009. “Eles pediram para eu ligar segunda-feira à noite porque já teriam a posição final do Japão. Estou confiante, mas tenho consciência de que não estou garantido.”

Se a decisão for pela continuidade da equipe, os novos donos terão de concordar com várias imposições dos japoneses. “De repente compram o time por nada e logo depois vendem por tudo. Eles querem evitar coisas desse tipo”, revelou Bruno Senna, que espera ser o terceiro piloto brasileiro no grid da Fórmula 1, ao lado de Felipe Massa (Ferrari) e Nelsinho Piquet (Renault).