Daniel Alves deixou a modéstia de lado ao comentar sobre seu retorno ao futebol brasileiro. O lateral-direito de 36 anos, contratado em agosto pelo São Paulo, disse que ainda tinha clubes europeus interessados na sua contratação, mas voltou ao País para servir de exemplo.

“O Brasil precisa urgentemente de grandes exemplos em vários setores. Somos um país muito egoísta, onde se o meu estiver bom, o do outro não importa. Assim não se cria uma nação sólida e nem sensibilidade entre as pessoas. Gostaria de ser uma dessas referências, esse é meu desafio aqui”, contou o jogador, em entrevista à revista GQ Brasil.

Apesar de estar somente há dois meses no São Paulo, o jogador já se envolveu em polêmicas no novo clube. Na semana passada, Vagner Mancini pediu demissão do São Paulo por reclamar da influência de Daniel Alves nas decisões da equipe.

Mancini era coordenador técnico e teria sido chamado para assumir a vaga de Cuca no comando do time. De acordo com áudio vazado com a voz de Mancini, Daniel Alves teria pedido a contratação de Fernando Diniz. Por isso, o coordenador técnico pediu demissão. À revista, o lateral-direito reclamou de ser incompreendido.

“Sempre pegam as coisas ruins de qualquer frase que eu falo, mas não a mensagem completa”, defendeu-se. Após o empate do São Paulo com o Flamengo, ele tentou explicar o que aconteceu nos bastidores do clube.

“Aqui a gente preza sempre pelo bem do São Paulo. Se eu tiver que ficar com alguma coisa do Mancini, fico com o grande cara que conheci. Às vezes, quando você está em um momento de decepção, ‘caliente’, você tem que respirar antes de fazer declarações, que não vem ao caso. Penso que está fora de lugar tudo isso. Se eu tivesse esse poder, queria ter em casa, mas nem em casa tenho esse poder, imagina no São Paulo. A gente preza pelo bem do São Paulo, pelo crescimento do clube. Não pensamos nunca no individual, no bem para nós. É isso o que vamos prezar, independente do que estejam falando”, afirmou.

A aposentadoria não está em seus planos pelo menos não antes do Mundial do Catar, em 2022. “Quero ir para a Copa de 2022”, disse à revista. “Depois eu penso em parar, sobretudo se o resultado for bom. Meu sonho não é conquistar cinquenta títulos (tem 40 atualmente), não vai caber nenhum troféu no meu caixão. Quero levar comigo sensações, momentos vividos”, comentou.

Quando pendurar as chuteiras, o jogador disse que pretende se tornar palestrante para jovens e adolescentes sobre “conscientização humanitária” e ser stylist. E até mesmo se arriscar na indústria da música. “Brinco que, na verdade, sou músico e meu hobby é futebol. Quem sabe eu não lanço um álbum?”