Daiane contou que o técnico
Oleg Ostapenko ainda quer
complicar mais a série que
faz ao som do Brasileirinho.

São Paulo – Daiane dos Santos ganhou a medalha de ouro no solo, ontem, numa apresentação muito emocionante pela etapa de São Paulo da Copa do Mundo de Ginástica. Por causa de uma falha no som do Ginásio do Ibirapuera, faltando um quinto para concluir sua apresentação, a ginasta ficou sem ouvir o Brasileirinho, música que dá ritmo a sua coreografia. Mesmo assim, decidiu terminar a prova sem música. O público, surpreso diante da situação inusitada, tentou ajudar batendo palmas – algumas pessoas choraram nas arquibancadas – e foi ao delírio diante do anúncio da nota – 9, 500 para Daiane e a certeza do ouro.

Patrícia Moreno, da Espanha, ficou com a medalha de prata e não gostou da nota 9,125, que achou baixa, e Daiane concordou que parecia público de futebol – pelas arquibancadas superlotadas (8.097 é o número oficial, com renda de R$ 71.437,50) e pelo fato de as pessoas já começarem a conhecer a ginástica. ?Só que os atletas tinham colante e sapatilha e não tinha bola?, disse a ginasta brasileira.

A reação do público foi de querer ajudar quando o Brasileirinho parou. ?Parou de tocar a música… o que eu pensei? Fazer o quê? Vou continuar e continuei a série normalmente?, disse Daiane, de 22 anos, que usou a experiência de quem tem seis medalhas de ouro no solo em etapas da Copa do Mundo, nas duas últimas temporadas, para driblar o problema.

?Ela parou na diagonal, olhou para mim e eu falava ?Vai?. Ela olhou a segunda vez e eu repeti: ?Vai?. Porque se ela parasse teria de fazer tudo outra vez, o que sempre é um risco. O tempo de descanso seria muito pequeno e fazer a série em seguida não seria fácil. Então, é melhor terminar a série sem a música do que repetir tudo outra vez?, explicou Eliane Martins, diretora de seleções da Confederação Brasileira de Ginástica. Eliane explicou que faltava apenas um quinto da série para Daiane – um pouquinho de dança e a última acrobacia, pouco, para concluir a apresentação.

?Eu olhei para a Eliane, ela falou vai, vai e eu fui. Já tinha feito mais da metade, só faltava a final, não ia colocar tudo no lixo?, contou Daiane.

Eliane ainda disse que tem uma diferença entre estar preparada para terminar a série e tomar essa decisão quando acontece o imprevisto. ?A atleta não está preparada para ficar sem a música nessa fase da apresentação. Se fosse uma ginasta mais nova iria parar?, explicou.

Daiane contou que o técnico Oleg Ostapenko ainda quer complicar mais a série que faz ao som do Brasileirinho, inserindo um movimento chamado Tsukahara – pirueta e um salto mortal de costas. E sobre a saída de Daniele Hypólito da seleção não quis mais comentar nada. ?Não tenho opinião sobre isso.?