O técnico Dado Cavalcanti, independentemente de suas convicções táticas, já mostrou que não se submete ao engessamento. Ele é capaz de processar ajustes de acordo com a postura do adversário. À frente do Paraná Clube, implementou mudanças pontuais, de acordo com aquilo que o jogo, segundo sua visão, exigia.

Essas variações são resultado de muita observação. Indagado sobre a Copa das Confederações, disse ir além e garante que mesmo em torneios de bairros é possível tirar ensinamentos. “Seja para o bem ou para o mal. Você pode ver algo para aplicar ou algo para jamais utilizar”, disse o treinador paranista. “Acompanho tudo e sempre tiro lições. Nesta Copa das Confederações, o nível da maioria dos jogos tem sido excelente. A não ser naqueles onde há uma grande diferença técnica, o que é normal neste tipo de competição”, completou Dado. Numa avaliação da competição, de uma forma geral, não foge ao lugar comum e vê a Espanha como a grande favorita ao título.

A atual campeã mundial ostenta uma invencibilidade de três anos e 28 jogos. “A qualidade da Espanha é indiscutível”, disse. Vê no time espanhol todos as características que um treinador idealiza. “Tem os melhores jogadores, um conjunto perfeito e um ótimo padrão tático”, ressaltou. Isso, porém, não faz da Espanha uma equipe imbatível, falando mais como torcedor. “Como bom brasileiro, fica a torcida para que numa final a Seleção Brasileira possa levar a melhor, pois também apresentou um futebol competitivo, até aqui”.

Sobre a melhor estratégia para “parar” a Espanha, Dado deu a sua opinião. “Não é receita de bolo. Na prática, não sei se daria certo. Mas acredito que para combater o veneno, você precisa usar do mesmo veneno, mas com outra dosagem”, comentou o treinador. “A Espanha trabalha a posse de bola como ninguém e não tem pressa. Por isso, gostam de jogar contra equipes que esperam atrás da linha da bola. Trocam 40, 50 passes antes da finalização”, lembrou. “Talvez, o interessante seria jogar em cima deles, marcando a saída de bola e não deixando que seus zagueiros iniciem as jogadas”, destacou. “Isso poderia obrigá-los às ligações diretas, o que eles não gostam de fazer”.

O próprio Dado deixa claro que é uma visão absolutamente teórica sobre uma questão recorrente no futebol mundial. “Não sei se daria certo. Poderia ser um tiro no pé. Afinal, isso daria espaço para os jogadores de frente da Espanha, que são muito velozes. Mas ao menos seria algo diferente daquilo que tem se visto. Talvez desse certo”, arrematou.