A Copa do Mundo de 2014 pode sair da Arena? Um fato que já parecia consumado foi colocado em dúvida após uma série de entrevistas do presidente do Atlético, Marcos Malucelli, a emissoras de rádio de Curitiba. O xis da questão é a responsabilidade pelas obras de ampliação e adequação do estádio às exigências da FIFA.

Nas entrevistas da noite de quinta-feira, Malucelli disse que o Furacão tem cacife para bancar os R$ 30 milhões do projeto original para conclusão do estádio, já em andamento.

Mas, sozinho, o clube se recusa a levar adiante o projeto elaborado para adaptar o Joaquim Américo à Copa do Mundo. O clube diz que o custo das obras neste caso sobe para R$ 138 milhões.

Segundo o presidente rubro-negro, entre assumir essa empreitada sem um investidor garantido e abrir mão da Copa-2014 na Arena, optaria pela segunda opção.

Malucelli afirma que a Copa não é do Atlético, e sim de Curitiba, e considera as obras exigidas pela FIFA desnecessárias para a conclusão do estádio. O mesmo problema enfrentam São Paulo e Inter, donos dos outros dois estádios particulares indicados para o Mundial.

Mas o vice-governador do Paraná e chefe do comitê estadual para a Copa de 2014, Orlando Pessuti, disse ontem por telefone ao Paraná Online que não há possibilidade de outro local ser indicado para o Mundial.

“Temos que entregar o projeto de revitalização do estádio até 31 de dezembro ao comitê organizador da Copa-2014, inclusive com descrição dos investidores. Não haveria tempo para montarmos outro projeto da estaca zero”, falou Pessuti.

O vice-governador reiterou que o governo do Estado não bancará nenhum empreendimento particular relacionado ao Mundial somente obras de infra-estrutura, num valor aproximado de R$ 4,5 bilhões, estão previstas para a candidatura curitibana.

Assim, rejeitou a hipótese de tocar a Arena com dinheiro público. Mas Pessuti diz que o Estado se compromete e ajudar o Atlético a encontrar os parceiros necessários para adequar o estádio.

“O Atlético se comprometeu a finalizar o estádio. Sabemos que ao longo destes dois anos (da campanha para trazer a Copa a Curitiba) o caderno de encargos da FIFA sofreu modificações, que encareceram o projeto. Mas o Atlético é nosso parceiro. É muito mais fácil ajudá-lo a resolver estes problemas do que partir do que mudar o projeto”, falou, lembrando que o governo federal já sinalizou a criação de linhas de financiamento através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os investidores privados.

Petraglia prefere o silêncio

A reportagem do Paraná Online entrou em contato por telefone com ex-presidente atleticano, Mario Celso Petraglia, principal articulador político da escolha da Arena como estádio curitibano para a Copa-2014. Ao saber do tema da entrevista, ele respondeu que “não está dando entrevista a nenhum veículo” e desligou.