Curitibano vice-campeão da corrida de São Silvestre

São Paulo – O paranaense Romulo Wágner, 26 anos, vice-campeão da 79.ª Corrida Internacional de São Silvestre, chegou ao atletismo por acaso. Foi no gramado do Paraná Clube, há oito anos, que o ex-atacante de futebol descobriu a vocação para as provas de rua.

“Sempre joguei bola e nunca havia pensando em correr uma prova de rua. Em 1995, sofri uma lesão no joelho esquerdo e tive de ficar afastado por alguns meses dos gramados. Na recuperação, tinha de correr todos os dias e acabei sendo descoberto pelo técnico Marcos Melo”, contou.

Romulo não só ouviu os conselhos do técnico, como passou a vencer as provas de 10km em sua cidade (Curitiba). “Larguei o meu sonho de ser jogador profissional de futebol por causa da corrida. E não me arrependo pela troca”, brincou. Hoje, o atleta da Mizuno mora em Mogi Mirim e treina com o técnico Carlos Alberto Cavalheiro.

Em sua primeira participação na São Silvestre, em 2000, ele foi o décimo colocado. No ano seguinte, chegou em sétimo. E na edição de 2002 desistiu da prova no décimo quilômetro: “Fiquei muito nervoso na véspera e tive insônia. Estava desgastado, o cansaço me quebrou”, explicou. Um lugar no pódio já havia sido anunciado por Rômulo um dia antes da prova de 2003, quando afirmou: “Vim para surpreender.”

A segurança foi conquistada no treinamento na altitude realizado na cidade de Paipo, na Colômbia, a 2.600m. “Foram sete semanas de treinamento e me senti muito bem na volta”, revelou.

Animado com o resultado, Romulo já faz planos para voltar para Paipo, local escolhido para se preparar para a maratona, em abril, quando tentará o índice para a Olimpíada de Atenas. “Ainda não decidi se vou correr a Maratona de Paris ou Inglaterra.”

Na Maratona de Berlim, em setembro, Romulo fez o tempo abaixo do índice olímpico. Marcou 2h12, contra 2h15. Mas o índice só vale se realizado no ano da Olimpíada – o Brasil terá três vagas na prova.

Para o fundista, 2003 foi o seu melhor ano, mas nem por isso pensa em descansar. Amanhã, embarca para o Uruguai, onde participará da Corrida de San Fernando, num percurso de 10km. “A prova será mais um treino para a maratona. De lá, pretendo correr uma prova na Venezuela e depois descansar uma semana.”

No fim do mês, Romulo volta para Paipo e fica treinando até a véspera da maratona. Em abril, ele foi vice-campeão da Maratona Internacional de São Paulo e, em outubro, terceiro colocado na Volta Internacional da Pampulha. “O ano passado foi o melhor da minha carreira, mas este ano será melhor ainda. Nunca estive tão bem preparado”, avisou.

Marílson de olho na Olimpíada

AE

São Paulo – Na manhã de ontem, Marílson Gomes dos Santos dizia que ainda não tinha tido tempo para dormir ou assimilar o fato de que conquistou um lugar na história da São Silvestre com a vitória no dia 31. “Para ser sincero, ainda não caiu a ficha”, disse o corredor, que quebrou uma série de cinco vitórias quenianas e deve dedicar o ano de 2004 a conseguir índice para participar da Olimpíada de Atenas.

Na premiação, ontem, Marílson lembrou das pessoas que o ajudaram como a mulher, Juliana, e seu treinador, Adauto Domingues. Ao mesmo tempo, aproveitou para relembrar sua origem humilde na cidade-satélite de Ceilândia, próximo de Brasília. Ao falar de seu início de carreira, o corredor, de origem humilde, não esconde que chegou a pensar em abandonar o atletismo diante das dificuldades que enfrentou.

Marílson preferiu aproveitar a passagem de ano em Peruíbe, e ontem voltou a São Paulo para ser premiado. Após a solenidade, o corredor que além do prêmio de R$ 17 mil, ganhou um bônus do mesmo valor do grupo Pão de Açúcar, um de seus patrocinadores , foi disputado pelos corredores que acompanharam a premiação.

Em 2004, Marílson diz que pretende se dedicar ao objetivo de ir à Olimpíada. “Estou treinando para conseguir o índice na maratona”, disse o corredor, que até pouco tempo participava de provas mais curtas e terá apenas uma chance, na sua estréia na nova distância, de obter a marca. “Se não der, tento os 10 mil metros.” Adauto Domingues, acredita no potencial de Marílson. “Ele tem uma característica que o ajuda muito, que é o fato de quase não se contundir”, observa o treinador.

Outra celebridade da premiação que superou o cansaço foi a campeã da prova feminina, a queniana Margaret Okayo. Bem humorada, diz que passou o réveillon em um hotel, onde teve oportunidade de fazer o que gosta. “Sou melhor dançarina do que maratonista”, brinca a corredora, que vai correr a maratona em Atenas. Márcia Narloch, a melhor brasileira, diz que vai ter um período de descanso antes de continuar seu trabalho preparatório para a Olimpíada.

Lula parabeniza campeão e vice

Brasília

– O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou telegramas de felicitação a Marílson Gomes dos Santos e a Rômulo Wagner da Silva, os atletas do Brasil que chegaram, respectivamente, em primeiro e segundo lugar na Corrida Internacional de São Silvestre. Os dois brasileiros quebraram, assim, a hegemonia dos quenianos na tradicional corrida realizada a cada 31 de dezembro em São Paulo.

A assessoria de imprensa da Presidência da República informou ainda que Lula encaminhou um convite aos dois atletas para visitá-lo no Palácio do Planalto na próxima semana. A data precisa da visita ainda não foi marcada.

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