O Instituto Ethos divulgou ontem, na Câmara dos Vereadores, o relatório atualizado sobre a transparência das obras vinculadas à Copa do Mundo. Ao contrário da avaliação de 2012, quando Curitiba mostrou números abaixo do esperado, desta vez houve uma melhora significativa no índice. Com a nota de 45,7, em uma escala de 100 pontos possíveis, a Capital teve um aumento de mais de 30% em relação ao ano passado.

Apesar da evolução, um dos empreendimentos relacionados ao Mundial segue obscuro quando assunto é transparência: a Arena da Baixada. De acordo com Bruno Videira, coordenador de projetos de políticas públicas do Instituto Ethos, responsável por analisar o índice de transparência das cidades-sede da Copa do Mundo, obter dados e informações sobre o estádio rubro-negro tem sido trabalhoso.

Para o especialista, o modelo adotado para financiar o estádio contribui para que os dados sejam nebulosos. “No caso da Arena, a transparência é bem complicada. Ao contrário do que acontece em outras cidades, com os estádios públicos e privados, a obra é tripartite. Envolve a prefeitura, o governo do Estado e o Atlético. Quando você solicita uma informação, falam que é uma obra privada. Mas o Atlético fornece os dados para a prefeitura e acredito que forneça para o governo do Estado também. Porém, ambos não fornecem os dados para o cidadão. Sabemos que existem planilhas que o Atlético passa mensalmente para a prefeitura, mas elas não vêm a público”, analisou.

Arena à parte, Videira mostrou otimismo com relação aos índices de Curitiba apontados no recente relatório. Contudo, ele acredita que a Capital poderia figurar entre as cidades-sede mais transparentes da Copa do Mundo. “Houve uma evolução, os números mostram isso. Mas uma cidade como Curitiba, com o porte dela, com o histórico de cidade-modelo, poderia avançar muito mais. Curitiba pode ir muito além”, avaliou.

Segundo o coordenador do instituto Ethos, a receita para aumentar o índice de transparência é simples: vontade política. “No ano passado, o indicador apontava uma nota de 15,57. Ou seja, é possível avançar e avançar rápido. Brasília, por exemplo, estava com um índice de 12% e chegou a 77% este ano. Houve uma vontade política bem grande”, avaliou.

Em comparação com outras cidades-sede, Curitiba aparece apenas em sexto no ranking de 2013. O estudo, feito em nove capitais, apontou Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre como as únicas a atingirem um desempenho considerado satisfatório.

Após a Copa do Mundo, o Instituto Ethos continuará realizando a avaliação de transparência, principalmente por que boa parte das obras relacionadas ao evento só deverá ser entregue depois do Mundial. Se forem.

Paulo Rink coloca panos quentes

Presidente da comissão especial da Copa, o vereador Paulo Rink (PPS) preferiu não polemizar e acredita que a transparência nas obras de Curtiba deve ser analisada de maneira geral, e não recair excessivamente sobre a Arena. “As dificuldades estão em todas as áreas. Não podemos analisar apenas a questão do estádio, mas sim avaliar todas as melhorias necessárias”, afirmou o ex-jogador atleticano.

Sobre o atraso da Arena da Baixada, que não ficará pronta no final do ano, Paulo Rink não demonstrou preocupação. Para ele, os responsáveis pela reforma do estádio, que irá receber quatro partidas do Mundial, precisam aproveitar o tempo extra para agilizar os detalhes finais. “Cabe a nós trabalharmos da melhor maneira possível para usar este prazo e deixar tudo pronto. Afinal, fomos a terceira cidade do Brasil em média de pedidos para ingressos da competição. Vamos trabalhar para deixar a cidade apta para receber os jogos”, concluiu.