Aos 59 anos, o curitibano Levir Culpi está realizando uma atividade longe dos campos de futebol. Seu último trabalho no ofício de treinador foi no comando do Cerezo Osaka, no Japão, de onde saiu no final do ano passado. Como jogador, foi revelado pelo Coritiba. Como técnico, seu primeiro clube foi o Atlético, embora já tenha atuado na função também pelo Paraná Clube e o próprio Coxa.

No momento, Levir decidiu dar um tempo no futebol para cuidar de seus negócios, como o restaurante de comida japonesa, do qual é proprietário na capital paranaense. Entre os afazeres de empresário da gastronomia, ele aproveita para escrever a autobiografia, cujo título ele tirou de uma frase que ouviu um torcedor quando treinava o Criciúma: “Você é um burro com sorte.”

Paraná Online – Você atualmente está concentrado em escrever seu livro, que vai se chamar “Um burro com sorte”. A origem do titulo tem relação com um jogo no Criciúma, certo?

Levir Culpi – Quando começou o jogo, nós fomos pressionando, mas o gol não saia. Então, um cara começou a me chamar de burro, atrás do banco, pois queria um atacante. Voltamos do intervalo da partida e acabei não falando nada aos jogadores. Só faltava sair o gol. Faltavam uns 15 minutos pra terminar o jogo, e o que eu resolvi: tinha um meia chamado Grizzo, coloquei ele e tirei um centroavante que era meio finalizador só, o Chicão. Aí, o Grizzo, aos 45 minutos, entra driblando todo mundo e faz o gol. Saí todo orgulhoso, e pelo menos uma olhada para o cara eu tem que dar. Foi aí ele soltou a última frase: “Burro com sorte”.

Paraná Online – Qual vai ser a abordagem do livro?

Levir Culpi – Tem um subtítulo que eu estou querendo pôr, que é: o futebol visto de dentro pra fora. A visão do técnico sobre o futebol. Todo mundo analisa de fora pra dentro.

Paraná Online – Quando você teve a ideia do livro?

Levir Culpi – Já decidi há muito tempo. Começou com uma cobrança muito forte lá em casa, com minhas filhas e minha mulher.

Paraná Online – Por falar em Criciúma, como foi comandar o time catarinense, que foi a sensação da Libertadores de 1992, chegando a enfrentar o São Paulo de Telê Santana?

Levir Culpi – Acho que não fomos para a final, pois tinham que se enfrentar dois times do mesmo país (nas quartas de final). Aí fomos jogar contra o São Paulo, e teve um jogador expulso. O São Paulo foi campeão, e foi campeão do mundo depois. A gente ia ganhar a Libertadores, do jeito que estava o time. O time era muito forte fisicamente e se ajustou direitinho também. Íamos jogar na altitude e não sentíamos muito. Ganhamos na Bolívia (do San José). Houve também um empate contra o Bolivar. Eu tinha esperanças, sempre tive esperanças. É bom lembrar que na fase classificatória ganhamos do São Paulo. Metemos 3 x 0.

Paraná Online – Sua principal conquista no futebol brasileiro foi a Copa do Brasil com o Cruzeiro, em 1996?

Levir Culpi – Em termos de mídia, acho que sim. Mas tecnicamente, para mim não foi. Esse título, acho que ganhamos com sorte. O que eu quero dizer é que a Copa do Brasil que ganhei com o Cruzeiro não ganhei jogando o que joguei com o Atlético Paranaense no Brasileiro (vice em 2004). Ganhamos em um golpe de sorte. Era Luizão, Rivaldo, Luxemburgo (no time do Palmeiras). Eles fizeram um gol e nós não tocamos na bola, mas viramos o jogo.

Paraná Online – Foi a sorte que faltou para o Atlético no Brasileiro de 2004?

Levir Culpi – Não sei exatamente. Se falar, faltou um ,pontinho naquela partida em Erechim (Grêmio 3 x 3 Atlético). Mas e os jogos invictos? Metemos cinco no Corinthians no Pacaembu. Não sei o que faltou, mas às vezes não ganhamos pois não era para ganhar. A gente teve um outro empate que ninguém lembra. Estávamos ganhando do Juventude de 3 x 1 e o Juventude empatou, lá em Caxias. Nem essa e nem a outra (contra o Grêmio) dava o título, pois perdemos pro Vasco depois.

Paraná Online – Pensa em voltar a trabalhar em um clube da capital?

Levir Culpi – Acho que já completei meu ciclo em Curitiba. Estive algumas vezes no Coritiba, no Atlético e no Paraná, como jogador e técnico.

Paraná Online – É verdade que você foi avalista do Marcelo Oliveira quando ele foi contratado pelo Paraná Clube?

Levir Culpi – Foi, com certeza. Indiquei ele pra ir pro Japão também. Ele só não acertou no Japão, pois os dirigentes do Coritiba foram espertos e o convenceram a ficar. Gosto muito dele, pois é um cara equilibrado.

Paraná Online – Tem acompanhado o atual momento do Trio de Ferro?

Levir Culpi – Não muito de perto. Vi alguns jogos só. Não é que eu deteste o campeonato regional, pois até acho que o campeonato regional é de certa forma necessário para manter um número de profissionais em atividade, mas acho que poderia ser feito algo em relação ao calendário.