Valquir Aureliano
Silas pode ganhar um lugar no
time que joga em Porto Alegre.

Dificilmente o Coritiba tem uma semana tranqüila. A cada rodada do Brasileiro, o técnico Cuca tem que ?tourear? algum problema – seja a negociação de um titular (casos de Fernando, Rafinha, Miranda e Alexandre), algumas lesões graves (como Flávio e Márcio Egídio) e principalmente as suspensões – para o jogo de amanhã, contra o Internacional, Flávio, Reginaldo Nascimento e Luís Carlos Capixaba estão fora. Tantos obstáculos fazem o treinador penar para conseguir achar e manter uma base.

Desde que chegou ao Alto da Glória, Cuca não teve como manter uma equipe por várias rodadas. ?Sempre acontece alguma coisa?, lamenta o treinador. ?São coisas do futebol, mas realmente é preocupante. Nós estamos com dificuldades para encontrar esta base, mas temos que pensar isso de outra maneira, acreditando que vamos ter um grupo mais forte. Se não temos os onze, temos trinta jogadores prontos para entrar em campo?, avalia o comandante coxa.

Cuca lembra também que as negociações, inevitáveis, desfalcaram bastante o Cori. ?Vendo com atenção, todos vão perceber que o Coritiba foi o time que mais perdeu jogadores até o momento. Saíram quatro titulares?, diz o técnico. Somando os que foram embora com os que estão impedidos de jogar, o ?time? de desfalques alviverdes para a partida contra o Inter já tem oito jogadores – Fernando, Rafinha, Miranda, Flávio, Nascimento, Egídio, Capixaba e Alexandre. Os oito eram titulares.

Mas não há como lamentar. ?Não posso ficar só pensando nos que saíram. Vou pensar no Allan e no Alexandre, que vão jogar na defesa, no Jackson, que agora passou para a ala. Serão eles que vão buscar a vitória para o Coritiba em Porto Alegre?, afirma Cuca, que reconhece que o time perde em experiência sem Nascimento, Flávio e Capixaba. ?Mas ganhamos em vitalidade com o Mancha, o Vagner, o Ricardinho e talvez com o Peruíbe?, diz.

Além disso, o treinador espera ?movimentar? o grupo. ?Estão abrindo oportunidades para todos jogarem?, diz. Silas é um dos que podem ganhar uma grande chance. Ele foi o titular nos últimos treinos, ocupando a vaga de Capixaba, e vê agora a possibilidade de começar jogando. ?Eu estava esperando, até porque há muitos jogadores de qualidade no elenco. Então, quando aparece uma chance, temos que entrar com tudo?, resume o volante.

Ele ainda espera a definição de Cuca. ?Temos algumas situações para definir e é melhor esperar mais um pouco?, desconversa o treinador coxa. ?O que ele decidir vai ser o melhor para o time e eu vou estar pronto, se precisar de mim?, finaliza Silas.

Entrevista

Ele está se acostumando. O meio-campista Jackson, um dos jogadores mais regulares do Coritiba neste Campeonato Brasileiro, ainda não conseguiu fixar-se em uma posição desde o início da competição. Se antes ele trocava de função de acordo com as circunstâncias, sendo ala, segundo volante, meia de ligação e até mesmo terceiro atacante, agora o jogador deve ser efetivado na ala-direita, por causa da negociação de Rafinha com o Schalke 04.

Não é a primeira vez que Jackson passa por esta situação. No próprio Coxa, em 2003, o armador virou ala por opção de Paulo Bonamigo, à época insatisfeito com o rendimento de Ceará. Mas não era uma escalação constante, dependendo sempre do adversário ou mesmo de um momento positivo do outro jogador da posição. Agora, parece que é para valer e é sobre esta nova mudança que Jackson fala nesta entrevista ao Paraná-online.

Paraná-online – O que representa voltar a jogar como ala?
Jackson – Não há problema algum. A saída do Rafinha impõe isso, e a gente vai sentir falta dele, porque não é bom perder um jogador que estava há tanto tempo com a gente. Estamos acostumados com o grupo, e as transferências do Alexandre, do próprio Fernando e do Rafa foram chatas para a gente. Mas a vida é assim, ele teve uma proposta muito boa. Nós temos que dar seqüência na nossa caminhada, que é difícil. Mas podemos ter sucesso neste Brasileiro.

Paraná-online – Então, nenhuma objeção em jogar pelos lados do campo?
Jackson – Nenhuma. É até melhor, lá tem só um para marcar (risos).

Paraná-online – Você se incomoda em ser o ?coringa? do time?
Jackson – Não. Acho que o mais importante é ter a consciência de que eu tenho que estar pronto para atuar na posição que o Cuca desejar. E tenho que render bem, para ajudar o time, e para que eu possa ficar satisfeito com a minha atuação. Até agora, eu não estou me decepcionando, e tenho certeza absoluta que posso fazer ainda mais. Já fiz alguns gols pela ala, e meu desejo é continuar assim.

Paraná-online – Você considera este um dos melhores momentos da sua carreira?
Jackson – Em comparação com a minha primeira passagem pelo Coritiba, está sendo bem melhor. Estou sendo mais útil ao time agora. E fico feliz em ter voltado e mantido um bom nível de atuação. O Coxa não está em uma posição condizente com as atuações, mas vamos nos recuperar no segundo turno.

Paraná-online – O bom momento é fruto da experiência, do conhecimento dos ?atalhos? do campo?
Jackson – A gente ainda corre errado no campo (risos), mas eu ganhei muita experiência em cada clube que passei. E estou tentando pôr em prática tudo que aprendi. Mas isso não adianta se não tiver preparação, se não treinar forte durante a semana. Realmente os ?atalhos? aparecem, mas tenho que correr bastante.