Casagrande e Leno, de Cascavel, venceram no K2.

Com um desempenho beirando a perfeição, o atleta olímpico Sebastian Cuatrin, principal canoísta brasileiro, roubou a cena mais uma vez no Campeonato Brasileiro de Canoagem Maratona. Ele venceu as provas do K1 e K2 Sênior, principal categoria da competição, realizada pela Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) no último fim de semana, em Ribeirão Claro, região do Norte Pioneiro do Paraná.

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Os dois dias de competição reuniram 140 canoístas, de 12 equipes dos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, além do Distrito Federal.

Apenas os atletas que participaram do brasileiro poderão disputar a seletiva para a formação da equipe que representará o Brasil no Mundial de Canoagem Maratona, que acontecerá nos dias 15 e 16 de outubro, em Perth, na Austrália. A seletiva acontecerá no início de junho.

A Associação Ribeirão Clarense de Canoagem (Arcca), de Ribeirão Claro, ficou com o título de campeã geral, ao somar 165 pontos. A Apen de Piraju (SP) foi a vice-campeã com 118 pontos. A terceira colocação ficou com a equipe Patrulha, de Londrina, com 41 pontos.

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A maratona, uma prova de resistência, é a modalidade mais desgastante da canoagem. Na categoria sênior foram 33 km de remadas. Os atletas faziam um circuito de onze quilômetros, seguido de uma ?portage? – quando os competidores precisam deixar o rio e carregar o barco. Na prova do último fim de semana, o trajeto foi de 100m até retornar à água. Neste portage, os competidores aproveitaram para carregar os barcos com água e hidratantes.

Para Cuatrin, as duas medalhas de ouro não eram esperadas. Ele aproveitou a competição para testar a própria resistência e para ajudar o seu clube, a Associação Pirajuense de Esportes Náuticos (Apen), a pontuar. ?Eu vim para somar pontos. Como ainda estou sem técnico, vim para ajudar o clube a pontuar e conseguir o título de campeão geral, mas tive a surpresa de conseguir as duas medalhas?, diz.

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Cuatrin, que tem como principal objetivo este ano o Mundial de Canoagem Velocidade, que será realizado de 25 a 28 de agosto, em Zagreb, na Croácia, ainda não está satisfeito com seu desempenho. ?Ainda tenho muito que melhorar. Estou no caminho certo, mas preciso melhorar meu tempo para o mundial?, destaca.

Na canoa, Antônio Borges, também da seleção brasileira, ficou com o título, mas ainda não decidiu se participará da seletiva. ?Estou me preparando para o mundial (velocidade, na Croácia) e não quero me desgastar quando estiver próximo da competição. Por isso, ainda não decidi se vou à seletiva?, explica.

Bebeto mostra ao mundo o que pode fazer

Outro destaque da competição foi o canoísta Carlos Roberto da Conceição, o Bebeto, da equipe de São Vicente (SP), que foi homenageado com uma medalha de ouro ao final da prova pelo exemplo de esportividade que deu a todos os canoístas da competição.

Atleta da canoagem adaptada (para portadores de necessidades especiais), mesmo sem categoria específica, Bebeto não desistiu da competição e disputou duas provas. ?O Bebeto é o representante mais digno do esporte brasileiro. Ele é um vencedor e um exemplo para todos?, diz Argos Rodrigues, supervisor das seleções nacionais da CBCa.

Na modalidade K1 Master ele terminou a prova de 22 quilômetros em quinto lugar e na categoria K2 Master ficou com a quarta colocação. Mesmo prejudicado por alguns pilotos de lanchas que não respeitaram o circuito da prova, Bebeto ficou satisfeito com o resultado. ?Acabei derrubado pelas marolas da lancha, mas não tem problema, ainda consegui terminar a prova?, comenta.

Ao cair do caiaque, Bebeto perdeu seu leme adaptado e, com isso, perdeu o controle do barco. Como não tem as duas pernas, ele adaptou um cano de pvc sobre as coxas para usar como leme. ?O mais difícil é que não tenho como comprar um barco e isso dificulta uma adaptação, já que uso os mesmo caiaques do pessoal que está no meu clube?, conta o canoísta.

Mesmo sabendo das dificuldades de chegar ao podium em uma competição em que não há uma categoria específica para deficientes, ele não desiste.