Na próxima segunda-feira, o Atlético terá sua primeira reunião extraordinária do conselho deliberativo, desde que a nova diretoria assumiu em 15 de dezembro do ano passado. A assembleia terá como principal objetivo tratar das obras na Arena da Baixada. O presidente Mário Celso Petraglia, que também preside a Sociedade de Propósito Específico CAP S/A, que gerencia a reforma do estádio, deve apresentar a proposta em que colocará o CT do Caju como uma das garantias para conseguir o empréstimo de R$ 176 milhões junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O Furacão precisa assegurar pelo menos mais R$ 50 milhões ao banco, já que outros R$ 123 milhões estariam garantidos por conta do potencial construtivo concedido na parceria entre o clube e os governos estadual e municipal. Porém, dependendo das exigências do BNDES, o Atlético pode ter de empenhar outros bens ou até mesmo comprometer recursos que tem a receber, como a cota anual de TV, com valores em torno de R$ 35 milhões.

O CT do Caju, segundo o balanço de 2010, está avaliado em R$ 36.964.700. Porém, o próprio BNDES deve encomendar uma avaliação própria do imóvel. Além disso, é praxe do banco pedir garantias que valham uma vez e meia o valor a ser emprestado. Sendo assim, o Furacão teria de apresentar pelo menos R$ 75 milhões de seu patrimônio na negociação, seja em bens ou recebíveis.

Sem oposição, Petraglia não deve encontrar dificuldades para ter a proposta avaliada, apesar de ter prometido que não iria colocar em risco o patrimônio atleticano. Depois disso, o clube confirmará o CT do Caju como garantia, para que novamente a proposta seja colocada em avaliação na instituição financeira.

Na semana passada, em uma reunião com o Comitê Organizador Local, no Rio, o clube procurou dar celeridade ao processo. Mas foi avisado que o trâmite no BNDES é lento. Mesmo com as facilidades do programa Pró-Copa, que já abre exceção para financiamentos voltados às obras em estádios, a aprovação não sai em menos de 30 dias. Já a liberação dos recursos, que é feita em partes, de acordo com cada etapa da obra, tem um processo ainda mais demorado.

Por ora, entre os estádios sedes da Copa do Mundo, apenas Atlético e Corinthians ainda não contam com o dinheiro dos empréstimos. O clube paulista, porém, está um passo à frente do Furacão e aguarda apenas a liberação dos recursos. O Atlético será o último clube a conseguir o benefício.